30 de dez de 2007

No interior

Estive fora do ar nos últimos dias e peço desculpas pra quem passou por aqui. Não foi uma folga programada – simplesmente não contei com a possibilidade de não conseguir me conectar. Viver em São Paulo às vezes pode ser bem difícil, mas a gente se acostuma a muitas facilidades. Nem lembra que alguns desses confortos deixam de ser “automáticos” fora da cidade, mesmo quando estamos a menos de 100 quilômetros de distância... Mas se nesse “interior” tão próximo o acesso ao mundo virtual não é simples, parece ser bem menos complicado se conectar às pessoas. Acho que foi esse “enter” que fez com que o dono da sorveteria abrisse as portas às 11 da noite --quando o expediente já estava pra lá de encerrado, e as ruas, totalmente desertas-- só para atender um casal e um garoto que acenavam na calçada, por trás da vitrine. Três rostos completamente estranhos na cidade. Mais: os três só se deram conta de que tinham saído para o passeio sem nenhum dinheiro no bolso quando o gentil sorveteiro já estava abrindo a porta de vidro. Na mesma hora, começamos a nos desculpar com o homem, desistindo, conformados, do sorvete. Só que fomos convidados a entrar e escolher o sabor. Claro que voltamos no dia seguinte para pagar (e tomar mais sorvete).
Antes que a linha caía, aproveito para desejar que todos se conectem com o melhor de 2008: que seja um tempo em que a gentileza, a confiança e a generosidade inspirem muitas boas histórias. Até breve!
(Silvana Tavano)

21 de dez de 2007

Bom dia, verão


Lista de desejos para o verão que começa hoje:
1. horas de preguiça
2. noites de coração quente
3. banho de mar
4. picolé de limão
5. cochilo na rede
6. sorriso fácil
7. amigos em casa
8. inspiração
9. tempestades rápidas
10. pé na grama
11. livros inesquecíveis
12. passeios de bicicleta
(tela do artista plástico Rubens Gerchmann)

(ST)

18 de dez de 2007

Saudades


Arteiro feito moleque
De tão doce é quase melado.
Nunca vi um apelido mais bem dado!

Para Waldo

(ST)

Para filhos... e pais


Boas explicações sobre buracos negros e outros mistérios do espaço sideral estão em "George e o Segredo do Universo", livro infantil que a jornalista Lucy Hawking escreveu sob a supervisão do pai, ninguém menos do que o físico inglês Stephen Hawking. A viagem do menino a bordo do supercomputador Cosmos tem a missão (e, principalmente, o mérito) de traduzir algumas das idéias do autor de "Uma Breve História do Tempo" para leitores de todas as idades.
(ST)

16 de dez de 2007

Contemplação


Sessão de domingo: "The Aroma of Tea" é de 2006, o último curta de animação do premiado holandês Michael Dudok de Wit.
(ST)

15 de dez de 2007

Niemeyer, 100


No ombro do planeta
(em Caracas)
Oscar depositou
para sempre
uma ave uma flor
(ele não faz de pedra
nossas casas:
faz de asa)

No coração de Argel sofrida
fez aterrizar uma tarde
uma nave estelar
e linda
como ainda há de ser a vida

(com seu traço futuro
Oscar nos ensina
que o sonho é popular)

Nos ensina a sonhar
mesmo se lidamos
com matéria dura:
o ferro o cimento a fome
da humana arquitetura

Nos ensina a viver
no que ele transfigura:
no açúcar da pedra
no sonho do ovo
na argila da aurora
na pluma da neve
na alvura do novo

Oscar nos ensina
que a beleza é leve
("Lição de Arquitetura", Ferreira Gullar)

14 de dez de 2007

Receita de família

Pra lá de inspirada, a receita de Tereza Yamashita e Luiz Bras ensina a preparar e saborear os "livros do coração":

Ingredientes
milhares de palavras de todos os formatos e cores
1 xícara sem fim de imagens supercoloridas
2 conchas de amor e uma pitada de humor
2 asas de imaginação
folhas de papel reciclado cor de jasmim

Como fazer
Misturar tudo cuidadosamente num caldeirão sem fundo de fantasia e aventura. Deixar descansar por três dias debaixo de um arco-íris encantado. Depois acrescentar as folhas de papel reciclado e colocar no forno de cristal.

Esperar desabrochar, ler e se deliciar com as aventuras do livro do coração.

13 de dez de 2007

Papai Noel sem shopping

No próximo sábado, dia 15, a contação de história na livraria Cortez entra em clima de Natal, com direito a Papai Noel na platéia. A partir do livro "Admirável Mundo Louco", de Ruth Rocha, a atriz e arte-educadora Mirela Estelles convida as crianças a refletir: dá pra pensar e ser diferente dos outros? O evento é gratuito, mas quem lembrar pode trazer um brinquedo ou um livro que já leu e doar para a Associação Viver Sumaré Cultural. O programa começa às 11hs, na rua Bartira, 317.
(ST)

12 de dez de 2007

Três grandes para pequenos

Segui a pista que a ilustradora May Shuravel deu há alguns dias, quando comentei o texto infantil de James Joyce. Ainda não achei os títulos de Tolstoi, Isaac Singer, Victor Hugo e Roald Dahl que ela listou, mas acabei descobrindo outros três, que pertencem à mesma ótima coleção da Record, a "Abre-te Sésamo", e de escritores brasileiros. "A lua crescia muito limpa, tinha lambido todas as nuvens, estava com intenção de ocupar metade do céu". Pode ser mais bonito? Esse é um trechinho do delicioso "causo" contado por Graciliano Ramos em "O Estribo de Prata" (ilustrado por Floriano Teixeira, 5a. edição, 2004). E não tem idade mínima nem máxima pra ler e se divertir com "Macacos me Mordam", de Fernando Sabino (ilustrado por Apon, 4a. edição, 2007). Ou para se encantar com o poema que Drummond escreveu em 1983, seu primeiro infantil, "O Elefante" (ilustrado por Regina Vater, 9a. edição, 2004).
"Eis meu pobre elefante/pronto para sair/à procura de amigos/num mundo enfastiado/que já não crê nos bichos/e duvida das coisas"
.
(Silvana Tavano)

11 de dez de 2007

Sobre crianças e livros

"Hábito da leitura? Leitura é vício, é puro prazer! Hábito tem a ver com escovar os dentes".
Da escritora e pedagoga Fanny Abramovich, ontem à noite, durante o evento "Literatura em Pessoa", na Livraria da Vila.

10 de dez de 2007

Top Creuza!

Que a Creuza é uma bruxa pra lá de elegante eu já sabia. Mas nunca imaginei ver suas fotos publicadas num site badalado como o Moda Sem Frescura. Que sorte a dela ter como fã a editora de moda Biti Averbach! Agora a bruxa não para de repetir:
"Ai, que chique!"
(Silvana Tavano)

9 de dez de 2007

Dois jeitos de dançar

A linda animação do russo Lev Atamanov é de 1969 e foi coreografada por dois bailarinos do Bolshoi. A que vem em seguida é uma criação dos estúdios Disney, de 1946, inspirada pelo jazz de Benny Goodman.


7 de dez de 2007

Má notícia

A ótima revista literária "EntreLivros" vai sair de circulação. Apesar de suas 32 edições impecáveis --publicadas mensalmente desde 2005--, faltam anunciantes. Ainda assim, a editora Duetto promete seguir com números especiais de suas edições temáticas, o "Caderno EntreLivros" e a "Biblioteca EntreLivros".
(ST)

6 de dez de 2007

Do vovô James Joyce


Soube desse texto há alguns anos, pela minha querida amiga e professora Márcia Fortunato. Um infantil de Joyce? Pois é, "O Gato e o Diabo" é uma das histórias que J.J. contava para Stephen Joyce --provavelmente a única que ficou registrada, já que foi "contada" em uma carta que o avô mandou para seu "querido Stevie" em 1936. O conto é curto e tem P.S. no final: "O diabo fala de preferência uma língua dele mesmo chamada belzebulenga, que ele inventa conforme vai falando, mas, quando ele está com uma bruta raiva, pode falar um notável mau francês muito bem, embora alguns dos que o ouviram digam que com um forte sotaque de Dublin". Joyce assina a carta-livro com um carinhoso "nonno".
Ontem eu estava arrumando minha estante e encontrei o livro: a minha é a 8a. edição da Record (2000), com tradução de Antonio Houaiss e ilustrações de Roger Blachon.
(Silvana Tavano)

5 de dez de 2007

Poesia pra animar o dia

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo poemas.
Tem que ter por quê?


("Razão de Ser", de Paulo Leminski)

4 de dez de 2007

Revistas com cara de livro


A editora Magia de Ler estréia com duas novas (e lindas) revistas: Toca, pra quem tem até 4 anos, e Peteca, para leitores de até 8 anos. Além das seções fixas com brincadeiras, artesanato, culinária e curiosidades, os dois títulos trazem histórias assinadas por um time caprichado de escritores e ilustradores: Carla Caruso, Elisabeth Teixeira, Luiz Bras, Suppa, Maria Eugenia e muitos outros.
(ST)

3 de dez de 2007

Para ler e usar

Paula Perim é minha colega de editora --dirige a revista Crescer-- e está lançando hoje o seu primeiro livro, o "101 Idéias para Curtir com Seu Filho". Vale dizer que as idéias foram testadas e aprovadas ao longo do anos por Julia e Beatriz, filhas e fãs da autora. Editado pela Globo, o livro é ilustrado por Mariana Massarani. Na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915), a partir das 19 horas.
(ST)

30 de nov de 2007

Ainda sobre o fim dos livros...

Depois de ler minhas considerações a favor do livro, minha colega Jeanne Callegari ligou para dizer que também é possível fazer anotações no kindle:
"O e-reader vem com uma caneta especial. A pessoa escreve nas margens, grifa trechos, seleciona partes inteiras, e fica tudo gravado no arquivo daquele livro... Não sei se já existe ou não, mas o mesmo recurso vai dar conta de resolver a questão da dedicatória. A pessoa compra o arquivo digital para dar de presente e já deixa a dedicatória na página, via computador ou via kindle. não é o máximo?"
Não dá para negar, tecnologia é bacana mesmo. Mas, como bem lembrou a escritora e ilustradora May Shuravel, a televisão não acabou com o cinema que, por sua vez, não compete com o DVD, e assim por diante. É bem possível que eu também acabe virando a maior fã do kindle, mas dificilmente vou abrir mão dos livros de papel. E tenho certeza de que não sou a única --para muita gente, a paixão pela literatura se mistura e se confunde com o amor pelos próprios livros. Existe uma pequena obra-prima que trata justamente disso, o livro "A Casa de Papel", do argentino Carlos María Dominguez, editado pela Francis. Recomendo a leitura, mesmo que seja no kindle.
Silvana Tavano

29 de nov de 2007

Adeus livros?

Sabe que a frase que você grifou no último capítulo de um livro inesquecível? E aquelas anotações que fez, inspiradas pelo trecho que estava lendo? Ou aquela dedicatória que você quer reler de vez em quando? Pois é. Talvez não seja possível fazer nenhuma dessas coisas num futuro bem próximo. Há alguns dias, a livraria virtual Amazon anunciou o lançamento do Kindle, uma espécie de iPod para livros, só que ainda mais "prático", porque dispensa até o próprio computador: a tal caixinha mágica já vem com a rede (!) e a pessoa baixa o livro que quer ler, em qualquer lugar. Mas, será que o prazer de ler um livro tem alguma a ver com "praticidade"? Minha colega de letras, a jornalista Jeanne Callegari já é fã da novidade. Confira a opinião dela:
"Imagine poder levar toda a coleção do Monteiro Lobato para a praia, nas férias. Toda a coleção de culinária para um final de semana gastronômico na serra. E ter, em menos de um minuto, todos aqueles livros que a gente compra na Amazon e levam semanas para chegar pelo correio. Em algum tempo, tudo isso vai ser possível. E o que permite isso é o Kindle, um e-reader, ou seja, um aparelho para ler livros de forma digital. Algumas de suas características já existiam em outros produtos, como a possibilidade de aumentar o tamanho das letras e a tela, feita com uma tecnologia especial em que as letras não refletem. O grande diferencial do Kindle é a conexão com a internet o tempo todo. O autor pode corrigir erratas ou aumentar a história sempre que quiser, desde que os leitores autorizem. Dá pra abrir a Wikipedia ou consultar o dicionário, que já vem embutido. E assinar, bem baratinho, revistas e jornais, que são atualizados na mesma hora em que ficam prontos para ir para a gráfica, sem que você precise apertar nenhum botão. Tudo isso tem um preço: por enquanto, 400 dólares, o mesmo valor do iPod no ínicio e que, da mesma forma, deve baixar. De qualquer forma, feitas as contas, vale a pena para uma pessoa que lê bastante. Talvez não substitua todos os livros, mas muitos deles, como os de trabalho, por exemplo, que são lidos uma só vez e depois postos de lado. Bem mais barato que um livro normal, e sem matar tantas árvores para fabricar papel. As possibilidades que essa tecnologia abre são imensas. Os autores poderão escrever histórias-sem-fim, ou em capítulos, como os antigos folhetins. Livros poderão ser escritos coletivamente, em público, e irem aparecendo na tela das pessoas à medida que forem escritos. Com tudo isso, as pessoas podem somar o gosto pela tecnologia com o preço barato dos livros e começar a ler mais. Com a evolução da tecnologia, podem surgir aparelhos especiais para literatura infantil, com telas maiores e coloridas, com material seguro de a criança brincar e deixar cair. E é isso tudo, todas essas possibilidades de novas formas de se contar histórias, que me fascina no aparelhinho. Nós amamos o papel por extensão: por meio dele, travamos contato com as histórias e mundos diferentes que os autores criam. Papel sem tinta, sem letrinha, é nada. Por isso o Kindle, que traz o conteúdo em outro suporte, também poderá ser amado, porque nos fará lembrar das belas histórias que lemos neles."
E você, o que acha de tudo isso?
(ST)

28 de nov de 2007

Sem controle remoto

Se, além de gostar de ler, você também curte ouvir as idéias de quem escreve, a nova TV Cronópios é o canal. Só que, esse, você acessa no seu computador: a novidade do portal Cronópios. já está no ar, apresentando as três primeiras entrevistas produzidas para o programa Bitniks --o escritor Marcelino Freire, o jornalista, escritor e dramaturgo João Silvério Trevisan e o cineasta Sylvio Back. O próximo convidado é o poeta e tradutor Cláudio Willer.
(ST)

27 de nov de 2007

Um jeito de brincar

"A maior virtude do romancista imaginativo é a sua capacidade de esquecer-se do mundo, como fazem as crianças... brincar com as regras do mundo conhecido --mas ao mesmo tempo, através desses vôos soltos da fantasia, não perder de vista a profunda responsabilidade que, mais tarde, permitirá aos seus leitores não se perderem inteiramente dentro do romance... Escrever bem é permitir que o leitor diga: 'Era exatamente isso o que eu queria dizer, mas não podia me dar ao luxo de ser tão infantil'".
Orhan Pamuk

26 de nov de 2007

Era uma vez a literatura infantil

As novas formas de texto, a força da ilustração, a evolução da produção gráfica e o uso pedagógico da literatura infanto-juvenil são discutidos por Ana Maria Machado, Nelly Novaes Coelho, Roger Mello, Fernando Vilela, Luiz Brás e Indigo. Também participei da reportagem de Priscilla Brossi Gutierre para o Portal Literal.
(ST)

25 de nov de 2007

E daí que é domingo?

A animação é do inglês Simon Tofield, mas todo mundo que convive com gatos já viu essa cena.

(ST)

23 de nov de 2007

Histórias de verdade


No vilarejo em que vive, Maria de Fátima está acostumada a ouvir o batuque dos bilros... Quando o pai de Cristian volta do mar, o programa é dar um pulo na praia para brincar na jangada e engatinhar na areia... Para a avó de Fernando, se o bebê presta atenção no canto dos pássaros já é um menino feliz...
A continuação destas e de outras histórias inspiradoras estão no livro "Bebês do Brasil", produzido pela revista Crescer e editado pela Globo em parceria com a Unicef. Durante meses, a editora Cristiane Rogério e a equipe da Crescer percorreram o país de norte a sul e mergulharam no cotidiano de 27 bebês --com quem vivem, do que brincam, como é seu dia-a-dia. Mais do que um registro das desigualdades sociais e da diversidade de costumes, o trabalho retrata todas as caras da infância no Brasil com sensibilidade e emoção.
(ST)

Quando as nuvens contam histórias


Por que será que Tico e Lia gostavam tanto de olhar para as nuvens? Essa é a história que será contada pela atriz e arte-educadora Mirela Estelles, amanhã, às 11h, na livraria Cortez (rua Bartira, 317). Baseada no livro "Mãos de vento e olhos de dentro", de Lô Galasso (ed.Scipione), o programa é indicado para crianças a partir de 4 anos.
(ST)

22 de nov de 2007

Música para (quase) todos os gostos


Fiquei à procura de uma frase, um vídeo ou mesmo uma música especial para fazer uma referência ao "dia do músico", que se comemora hoje. Mas acabei encontrando uma notícia curiosa: orquestra austríaca faz música com legumes e verduras. Assinada por Marcelo Crescenti, correspondente em Frankfurt para a BBC Brasil, a reportagem apresenta a Primeira Orquestra Vienense de Legumes, certamente a única do gênero, que oferece ao público, no final de cada apresentação, uma sopa preparada com os instrumentos de seus 11 músicos --legumes, como o pepinofone da foto, e verduras. Parece que essa receita tem dado certo: a orquestra tocou no prestigiado festival de Salzburgo e se apresenta na Grã-Bretanha na próxima semana, no Festival de Música Contemporânea de Huddersfield com suas castanholas de berinjela, flautas de cenoura ou instrumentos de percussão recheados de feijão. O repertório também oferece vários sabores -do clássico Igor Stravinski ao rock eletrônico do grupo Kraftwerk. Confira o som orgânico da orquestra em uma faixas do seu segundo cd, o Automate.
(Silvana Tavano)

21 de nov de 2007

Poesia na rede

Poesia para crianças é o assunto do Tigre Albino, um novo endereço para sua lista de favoritos. A primeira edição já está no ar e traz um ótimo artigo do escritor mineiro Leo Cunha sobre humor e poesia: nele, Cunha mostra como o lúdico e o lírico rimam bem quando a idéia é cativar o leitor infantil, e dá ótimos exemplos, como o poema "Convite", de José Paulo Paes:
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio, pião,
De tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas,
mais novas ficam.

Como a água do rio,
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?”

(ST)

19 de nov de 2007

É ou não é?

Hoje é segunda-feira, mas não parece. O contrário do que acontece no miniconto "Gênio Genioso", onde o menino encontra uma lâmpada (mágica?) que parece, mas provavelmente não é.

Ontem eu acordei e dei de cara com uma lâmpada mágica. Digo lâmpada, mas de verdade não entendo porque chamam isso de lâmpada na história do Aladim. Não tem nada a ver com uma lâmpada normal, dessas que acendem. O nome desse objeto devia ser “bule mágico”.
E é um bule estranho, com o bico bem esticado –a lâmpada-bule que apareceu no meu quarto é igualzinha à que o Aladim encontra: dourada, reluzente, será que é de ouro? Esfreguei os olhos pra ter certeza que não estava dormindo e peguei aquele troço esquisito pra olhar mais de perto. De onde tinha aparecido? E bem do lado da minha cama... Sem saber o que fazer, fiz o que qualquer um teria feito: passei a mão de leve e fiquei esperando pra ver o que acontecia. Nada. Nem sinal de fumaça. Então resolvi esfregar a lâmpada-bule com força. Mas continuou não acontecendo nada, não apareceu gênio nenhum. Nem gênia.
Pena. Bem que eu precisava de uma ajudinha pra transformar o visto que a professora deu no meu desenho em estrelinha! Olhei mais uma vez pra lâmpada-bule e supliquei: "Só um pedidinho? Quem sabe alguma coisa mais fácil?" Nada.
Depois dessas tentativas, larguei a lâmpada-bule-não-mágica e fui tomar banho, pensando na minha falta de sorte. Pior do que nunca encontrar uma lâmpada mágica é topar com uma que não funciona.
Vai ver, o gênio está com preguiça. Ou será que aquilo é algum brinquedo novo que minha mãe comprou pra mim? Mesmo assim, saí do chuveiro com esperança: quem sabe ele acordou? Resolvi lustrar a lâmpada-bule de novo, dessa vez com uma meia bem macia. Poxa, vamos lá! Há quantos mil anos você está esperando por essa esfregadinha? Não teve jeito. Ô gênio temperamental! "Tá bom, desculpe, não quis ofender chamando sua lâmpada de bule!"
Mas que parece, parece.

(Silvana Tavano)

17 de nov de 2007

A mais perfeita tradução

Fábula: história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca.
(em "Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento", de Adriana Falcão)

15 de nov de 2007

Chinês sem legenda


Animação para o feriado: a letra vira desenho e conta a história no curta de animação "The Art of Writing", de Yu Ji.
(ST)

14 de nov de 2007

Fim de semana literário


Quem fica em São Paulo nesse feriado pode entrar em clima de Balada Literária: a literatura infanto-juvenil está incluída na programação, com a presença da escritora Indigo. Além dos debates e shows, vale a pena conferir a exposição de fotografias do livro "O Lugar do Escritor", de Eder Chiodetto.

13 de nov de 2007

Biblioteca encantada

Depois da Alceu Amoroso Lima, dedicada à poesia, e da Belmonte, especializada em cultura popular, a cidade acaba de ganhar mais duas bibliotecas temáticas: na Cassiano Ricardo, o assunto é música, e na Hans Christian Andersen, são os contos de fadas --desde o último sábado, novos 800 títulos do gênero estão nas estantes da biblioteca, que já conta com mais de 17 mil livros infantis. A novidade está sendo comemorada com shows, cursos, espetáculos teatrais e rodas de histórias --confira a programação, que é gratuita e se estende até o final de novembro.
(ST)

11 de nov de 2007

HQs de contos de fadas


"A Gata Borralheira" e mais 17 contos dos Irmãos Grimm vão ganhar versões em quadrinhos criadas por desenhistas brasileiros, como Fabio Lyra, que assina a história de "Rapunzel". O projeto é da editora Desiderata, com previsão de lançamento até o final do ano.
(ST)

8 de nov de 2007

Desmontando Tarsila


A menina adorava ouvir música, mas logo começa a descobrir o mundo através do desenho e, mais tarde, da pintura. Essa é a personagem do livro "A Infância de Tarsila do Amaral"(Callis), uma bela biografia escrita por Carla Caruso. No próximo sábado, dia 10, às 15hs, Carla conta uma das histórias da vida da pintora na oficina "Brincando com o Abaporu", na livraria Novesete (r. França Pinto, 97, Vila Mariana). Na seqüência, a turma vai montar um quebra-cabeça gigante do "pé grande", apropriadamente instalado sobre um cavalete de pintura.
(ST)

7 de nov de 2007

Viva Cecília


Hoje é dia de lembrar de Cecília Meireles, que nasceu num 7 de novembro, no Rio de Janeiro de 1901. Como professora, pedagoga, jornalista e poeta, ela explicou e entendeu o mundo através da palavra. Palavras que continuam ecoando até hoje.

Cecília por ela mesma
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

(trecho do poema "Motivo")

Cecília e os livros
"Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

Cecília e as crianças
Quem me compra um jardim com flores?
borboletas de muitascores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é meu leilão!)

(Leilão de Jardim)

5 de nov de 2007

Ferreira Gullar para crianças


O autor de "Resmungos", que acaba de levar o Jabuti como o "Melhor Livro do Ano", e do memorável "Poema Sujo", entre tantas outras obras, também já escreveu para crianças: em "Dr. Urubu e Outras Fábulas", editado pela José Olympio em 2005, a poesia está na boca de todos os bichos. É fazendo rima que dr. Urubu recebe dona Raposa, preocupada com a falta de chuva na floresta:
Tudo no mundo depende
do nosso ponto de vista
Não acha, amiga ardilosa?
Para quem come carniça,
a coisa agora está branca
ou melhor, está cor-de-rosa!
".
A Preguiça também não poupa o Jacaré e a Tartaruga quando descobre que os dois estão querendo mudar para a cidade, em busca de diversão:
É puro engano e vaidade.
Não passa de uma ilusão.
Sabiam que na cidade
o jacaré vira bolsa
e a tartaruga botão?".

Nos versos da Aranha, o poeta continua mostrando a vida como ela é:
Quem manda ser mariposa?
Cedo ou tarde ia morrer.
A vida é um perde-e-ganha:
num dia se é mariposa,
noutro dia, aranha.
E entrementes se sonha...

(ST)

1 de nov de 2007

Assim nascem as invenções...


Quando eu crescer, acho que vou ser inventor.
É que existem umas coisas muito importantes que ainda não foram inventadas.
Por exemplo: um medidor de amor. Se dá pra medir febre, por que não dá pra medir amor? Não deve ser assim tão impossível inventar um amorzômetro. Já pensou? A gente coloca o aparelho perto do coração das pessoas e pronto. Se já tivesse um desses hoje em dia eu não precisava ficar perguntando pra minha mãe se ela gosta mais de mim do que do chato do meu irmão. Eu também queria inventar alguma coisa pra ler pensamentos de animais. Bom, mesmo que não funcione com todos os animais... Mas que sirva pelo menos pra cachorros. Porque eu tenho certeza que o meu cachorro pensa, filosofa até. É só olhar pra cara dele, aqueles olhões estão cheios de pensamentos. Têm coisas que eu entendo: um latido = oi; dois = vamos dar uma volta; três = você demorou pra chegar; muitos latidos juntos = estou muito feliz ou muito bravo (depende do tom). Mas não é muito fácil descobrir o que ele está pensando quando ele só olha, sem latir. É uma pena, a gente não consegue trocar uma idéia. E eu passo muito mais tempo com ele do que com os meus amigos da escola.
Também acho que devia existir um jeito da gente escolher o que vai sonhar. Sei lá, alguma coisa que a gente fizesse antes de dormir, quem sabe um xarope? Daí escolhia o tipo de sonho, do mesmo jeito que escolhe o filme do cinema. Podia ter xarope sabor viagem espacial, xarope sabor férias, até xarope sem sabor, com direito a sonho-surpresa. Claro que tinha que acertar bem a dose, senão o sonho podia virar pesadelo. Será que é por isso que ainda não inventaram nada desse tipo?
Fico pensando e lembro de um monte de coisas que podiam ser inventadas. Tem óculos de sol, mas não tem óculos de chuva, com limpador de vidro, igual aos dos carros. Tem remédio pra dor de barriga, mas não tem remédio pra medo de escuro (alguma coisa que não seja abajur e resolva o problema rapidinho). Falta tanta coisa nesse mundo!
(Silvana Tavano)

31 de out de 2007

Só dá saci!


A Biblioteca Mário de Andrade (r. General Jardim, 485) vai festejar o "Dia do Saci" em grande estilo: a partir das 14:30hs, o grupo Timol (Teatro Infantil Monteiro Lobato) apresenta a peça "As Confusões do Saci no Sítio do Picapau Amarelo". Às 19hs, o Quarteto Pererê faz show com músicas folclóricas e contação de "causos". O dia também marca o início da exposição "O Saci em Três Tempos", com desenhos e textos que seguem a trilha do saci, de Lobato até hoje.

E pra entrar no espírito do dia, a dica é ler "Pererêêê Pororóóó"(DCL): os três sacis criados pela autora Lenice Gomes aparecem, rodopiam e somem nas belíssimas ilustrações de André Neves.
(ST)

30 de out de 2007

O Saci vem aí!


Faz só dois anos que o Saci-Pererê ganhou um dia especial, mas suas travessuras no folclore brasileiro começaram há mais de 200 anos e inspiraram histórias que todo mundo conhece: "Pedrinho e o Saci", de Monteiro Lobato; "O Caso do Saci", de Nelson Cruz, "A Onça e o Saci", de Pedro Bandeira, o simpático Saci recriado por Ziraldo (no desenho ao lado) para "A Turma do Pererê", entre tantos outros. O dia 31 de outubro não foi escolhido por acaso, e o Saci, arteiro e brincalhão, avisa: as bruxas que se cuidem!
(Silvana Tavano)

29 de out de 2007

Leitores premiados

A revista Crescer, da editora Globo, vai premiar as melhores resenhas escritas por crianças com o livro "Contos do Quintal". É só escolher um livro para comentar, e vale contar com a ajuda dos pais na hora da redação --importante é que a criança dê a sua opinião. Depois é só mandar a resenha para o blog da revista. A promoção vai até dezembro. No livro-prêmio, tem um miniconto meu:
"Medo de Avião"
Tem gente que tem medo de escuro. Eu tenho muito medo de avião. Quer dizer, de avião voando, né? Porque quando ele está no chão eu até acho bonito. Mas é bem nessa hora, quando eu vejo o avião estacionado no aeroporto que o medo começa. Como é que um negócio daquele tamanho consegue voar? É pesado demais, grande demais e, na minha opinião, voa alto demais. Nem pássaro, que é feito pra voar, chega tão alto. Pra que esse exagero?
Depois, vem o pior. O medo vira MEDO de verdade quando a gente está lá em cima. Não tem coisa mais esquisita do que ficar preso no meio de tanto espaço. E se o avião chacoalha, então? Minha mãe disse que é igual a carro quando tropeça em buraco. Não dá pra engolir essa, né? Como é que vai ter buraco se não tem chão?
Mas quando o avião desce, bom, aí é gostoso. Esqueço logo de todo medo que senti. É bem legal chegar rápido tão longe! Pelas minhas contas, seriam uns três dias de férias a menos se a gente tivesse ido de carro na última viagem!
Pensando bem, ficar num quarto escuro muito escuro deve ser bem pior.

(Silvana Tavano)

26 de out de 2007

Pateta anti-fumo



O achado é do jornalista Ricardo Lombardi: confira o sofrimento do Pateta fumante nessa antiga animação dos estúdios Disney.
(ST)

24 de out de 2007

Agenda de sábado


A editora Girafinha convida para dois eventos bacanas, programados para o próximo sábado, dia 27: às 11hs, tem contação de história com Erick Justino baseada no livro "O Rapto do Professor de Matemática", de Philippe Barcinski, ilustrado por Galvão, na livraria Cortez (r. Bartira, 317, Perdizes). A partir das 16hs, a autora Katia Canton e o ilustrador Guazzelli lançam "Monstruário" na livraria Teixeira (al. Lorena, 1611, Jardins), com oficina de desenho pilotada pelo ilustrador.
(ST)

23 de out de 2007

Escrever um livro, plantar uma árvore


O garoto tinha R$ 2 no bolso e queria comprar um picolé. A tia lembrou da campanha "Um milhão de árvores" e o convenceu a comprar uma mudinha de planta. Ele aceitou imediatamente e fez questão de pagar pela muda de jambo. Plantaram juntos no mesmo dia. Quem me contou essa história foi a jornalista Liliane Oraggio: o jambo vai crescer em Juazeiro do Norte, no Ceará, e é uma das 43.773 árvores registradas até agora na campanha idealizada pelo arquiteto e escritor Carlos Solano. Plante a sua.
(ST)

22 de out de 2007

Sobre um monge e sua idéia fixa

Persistência é o tema do curta O Monge e o Peixe, mais uma bela animação do premiado Michael Dudok de Wit. Imagens e música lindas pra começar bem a semana.

21 de out de 2007

Cotidiano coloridíssimo

Cenas do dia-a-dia de uma família comum são retratadas em tons fortes e com muito humor em
"Crésh!", do cartunista Caco Galhardo, editado pela Peirópolis. Também é dele e da mesma editora a história de "Dom Quixote em Quadrinhos", carimbado com o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIF), em 2005.
(ST)

19 de out de 2007

Mágica da palavra

O barro
toma a forma
que você quiser

você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer

(Paulo Leminski, em "Poesia Fora da Estante", editora Projeto)

18 de out de 2007

Pedalando...


... por aí, minha amiga Simone Kubric, editora da Callis, cruzou com esse personagem simpático, criado pela ilustradora Tatiana Paiva.

17 de out de 2007

MAM pra criança


Começa hoje e vai até o dia 2 de dezembro a exposição "Arte para Crianças" no Museu de Arte Moderna, do Rio de Janeiro. Cildo Meireles, Amílcar de Castro, Tunga, Rubem Grilo, Yoko Ono e muitos outros artistas importantes criaram esculturas, instalações e vídeo-histórias, como a do "Dedão do Pé do Fim do Mundo" (fotos), narrada com poema de Manoel de Barros. O MAM fica na av. Infante Dom Henrique, 85, no Flamengo.

16 de out de 2007

Inspiração pra escrever

Pra quem acha que escrever é difícil, a dica é ler "Esses Livros Dentro da Gente", da escritora mineira Stela Maris Rezende. Aqui, alguns trechinhos pra acender a inspiração:

Tem que ouvir histórias, de preferência histórias de assombração, contadas por uma avó bem misteriosa e ladina. Na falta da avó, trate de ouvir a professora, a vizinha, o motorista de táxi (...). Qualquer história pode ser envolvente. O que seduz é o modo de contar.

Tem que seguir a trilha dos mestres antigos. Aqueles caminhos cheios de mistério por onde andaram Andersen, Lewis Carroll e os Irmãos Grimm. Qualquer passeio tem que durar Mil e Uma Noites.

Tem que tomar chá com Cecília e Clarice. De preferência, numa tarde de sábado. Por modo de que na viagem do coração o sonho é sempre selvagem.

Tem que gostar de chuva no telhado. De borboletas na manhã de sol. De vozes abafadas na cozinha. De ruídos, De gestos. (...) De rostos. De olhares. De castelos. De barracões. De todas as dúvidas. De todas as perguntas.

Tem que prestar atenção nos imprevistos, nas idéias desgovernadas que aparecem a qualquer momento (...). Às tres da tarde, por exemplo, ou às oito da noite, pode ser que uma bela idéia se intrometa num assunto onde não foi chamada. Aconselho a ter um caderninho sempre por perto.

(ST)


13 de out de 2007

Hoje tem miniconto







Das coisas difíceis
Comer só um pedaço de chocolate, esperar todos aqueles minutos pra entrar na piscina depois de almoçar, ir só uma vez na montanha-russa. Essas coisas são difíceis, mas a gente consegue. É um difícil-médio.
Também tem o difícil dificílimo: espirrar sem fechar os olhos. Impossível não é. Mas acontece que espirro é o tipo de coisa que sempre vem de repente e aí, pronto, quando o espirro sai, o olho já fechou. Com bocejo é igual. É muuuuuito difícil ficar de boca fechada se alguém está bocejando do lado. Já tentou?
O difícil que pega a gente desprevenido é o pior. Teste-surpresa no meio da aula, por exemplo. Se for de matemática, a palavra DIFÍCIL até pisca, com todas as letras enormes.
E tem o difícil-quem-sabe: pedir gibi ou joguinho de computador pra mãe um dia depois do aniversário. Dá pra arriscar, mas vai ser bem difícil ganhar outro presente tão rápido...
Cada difícil tem o seu grau de dificuldade. Outro dia descobri que também existe o difícil-fácil. De verdade é um fácil disfarçado de difícil. Amarrar o tênis é o fácil com mais pinta de difícil que eu conheço, mas tem um monte de coisas assim: andar de bicicleta, pular corda cruzada, ler um livro de trocentas páginas. É só pegar o jeito. Daí vira uma moleza.

(Silvana Tavano)

12 de out de 2007

Direitos das crianças


Hoje é um bom dia pra lembrar que toda criança tem que ser protegida. Tem direito a alimento, cuidados, casa, escola e família. "Tem direito à infância, um tempo muito curto, mas em que se constrói o direito à felicidade", como bem disse Ruth Rocha, que escreveu a declaração desses direitos de um jeito lindo no livro "Os direitos das Crianças Segundo Ruth Rocha", editado pela Companhia das Letrinhas.
Toda criança do mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.
Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.
A criança tem direito
Até de ser diferente.
E tem que ser bem aceita
Seja sadia ou doente.
Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.
Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.
Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura...
Alguém para querer bem...
Uma caminha macia,
Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita,
Então, dormir e sonhar...
Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito a ser feliz!
(ST)

11 de out de 2007

Ainda dá tempo...

de passar na PUC (r. Ministro de Godoy, 969) e conferir o último dia da 11a. Semana do Livro Infantil. É uma ótima sugestão pra presentear suas crianças amanhã: ainda tem muitos títulos bacanas com descontos de até 30%. A feira termina às 16 hs. Corra!

(ST)

9 de out de 2007

Bom de ouvir

Livros, autores e leitores são o assunto de todos os dias no Letras & Leituras, comandado pela jornalista Mona Dorf, na rádio Eldorado (700 AM). Nesta semana, toda a programação do Letras está homenageando os leitores infantis. Ouça o áudio da minha entrevista, que foi ao ar hoje de manhã, e se agende para ouvir Tatiana Belinky na próxima sexta, dia 12, às 11:45hs.

(Silvana Tavano)

7 de out de 2007

Miniconto do dia

Sobre as nuvens
Às vezes dá pra gente ver o pensamento dos outros.
Ver com os olhos, não ler! Porque pra ler meeeesmo e até adivinhar tudo o que a pessoa está pensando tem que ter uns dons especiais. Ou conhecer muito a pessoa. Tem horas que só de olhar pra minha mãe já sei que ela vai me mandar tomar banho, por exemplo. Mas isso é outra coisa. O que eu consigo é ver o pensamento sendo pensado. É fácil, é só prestar atenção e dá pra enxergar a nuvem que forma geralmente no alto da cabeça da pessoa. Nessa hora, tem gente que olha pra cima e fica revirando os olhos, acho que tentando ver o que está dentro da nuvem. Também tem quem morda a boca, no cantinho, e daí os olhos disfarçam, fingindo que estão olhando pra outra coisa e que não tem nuvem nenhuma ali.
Quando o pensamento é triste, os olhos descem, quase fecham. É claro: a pessoa não quer ver! Mas com esse tipo eu ainda me confundo porque o pensamento preocupado também é meio assim, olhando pra baixo. Só que nesse a pessoa sempre pisca mais.
É muito legal ver o que eu chamo de pensamento-vulcão se formando. Esse tipo de nuvem até embaça o ar, de tão quente. Tem gente que fica vermelha, principalmente quando a nuvem-pensamento é de raiva. Esse tipo só não vê quem não quer, porque a cabeça pode até tremer, e tem gente que ainda solta uns grunhidos, um som que sai da garganta pelo nariz.
Ah, e também tem nuvem constante. Sabe aquelas pessoas que não prestam atenção quando alguém está falando? Na minha classe tem um menino desse tipo. A professora sempre diz que ele vive “com a cabeça nas nuvens” –isso prova que não sou o único que vê as nuvens, né?
De vez em quando também vejo as nuvens pretas. Sabe como é, a pessoa passou debaixo de uma escada ou cruzou um gato preto e daí fica achando que alguma coisa azarada vai acontecer. Pensa tanto que, pronto, a nuvem escurece e o azar aparece! Bom mesmo é quando não tem nuvem nenhuma: a gente olha e a cabeça está limpinha que nem céu azul, tem melhor?
(Silvana Tavano)

6 de out de 2007

É amanhã!


Já é bacana uma revista mensal como a "Crescer" dar espaço para a literatura infanto-juvenil. Melhor ainda é reunir esses minicontos num livro com histórias de Fabricio Carpinejar, Carla Caruso, Márcio Vassallo, Katia Canton e tanta gente legal. O lançamento do "Quintal" vai ser amanhã, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915), a partir das 15 horas. Vou estar por lá também.
(ST)

4 de out de 2007

Texto que desenha, imagem que fala

Papeando com a escritora Ana Maria Machado, que entrevistei tempos atrás, o assunto "ilustração de livros infantis" entrou na roda: falamos sobre como é fantástico quando o ilustrador traduz em imagens o que está na cabeça do escritor --mais que isso, quando os desenhos somam, acrescentando significados e dando novos sentidos ao texto. Por essas e por outras, tenho uma certa inveja de quem ilustra e escreve, como minha amiga May Shuravel. A história completa da vaca Valda está no livro "Na Casa do Coringa", editado pela Companhia das Letrinhas:
Era uma vez uma vaca amarela
chamada Valda Clotilde Vitela.
Vaca exigentíssima,
não tolerava relaxo ou mazela.
Usava luvas de puro cetim,
meias de seda, colar de marfim,
pulseira de ouro
(presente do touro)
e muitas outras coisinhas assim.

(ST)

3 de out de 2007

Quando o carteiro chegou...


Não sei há quanto tempo não recebia uma carta. Carta mesmo, com selo e, o mais incrível, datilografada numa Olivetti! Mas o melhor de tudo era a rementente: a professora Nelly Novaes Coelho. Nós nos conhecemos há algumas semanas, na editora Globo, no dia do lançamento da obra de Monteiro Lobato. Depois de uma conversa gostosa sobre as razões do sucesso de Harry Potter, perguntei se ela conhecia a bruxa Creuza, uma feiticeira bem diferente do bruxo famoso --a Creuza se encanta com as mágicas do homens, é engraçada, moderna e, também por isso, um pouco estressada. Mandei meus livros para a professora e hoje tive o imenso prazer de saber que ela leu e gostou. Ganhei o dia.

(Silvana Tavano)





1 de out de 2007

Domingo na Vila





Todos os meses, a revista Crescer publica minicontos infantis superlegais que, agora, estão reunidos no livro "Contos do Quintal", da editora Globo. O lançamento vai ser no próximo domingo, dia 7, na livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, 915), a partir das 15 horas. Vamos estar todos lá --eu, Carla Caruso, Kátia Canton, Cristiane Rogério e muitos outros escritores que participaram do projeto--, ouvindo as histórias que Sylvia Lohn, Giba Pedroza e Giuliano Tierno vão contar. Apareça!



(Silvana Tavano)

29 de set de 2007

Porque o cravo não brigou com a rosa

Parlendas, trava-línguas, mitos e cantigas populares. Tem tudo isso nos livros da escritora Lenice Gomes, que conheci em Paraty, na última Flipinha. Lá do Recife, ela manda uma quadrinha popular que fala de amor, tema do próximo livro:
Roseira, dá-me uma rosa
Craveiro, dá-me um botão
Menina, dá-me um abraço
Que te dou meu coração.

24 de set de 2007

Programa legal

Pra sonhar, devorar, aprender, conhecer. Tem história
de todo tipo na Novesete, uma nova livraria dedicada exclusivamente à literatura infanto-juvenil e também aos educadores: um mundo de livros pra quem quer descobrir outros mundos (r. França Pinto, 97, na Vila Mariana/ http://www.livrarianovesete.com.br/.

22 de set de 2007

Poesia agridoce


Sua pele é de um claro tecido,
Todo costurado e refeito.
Muitos alfinetes coloridos
Despontam-lhe à altura do peito.

Olhos que giram como discos
Ela possui dois belos pares.
Olhos de poderes hipnóticos:
Olhos de apaixonar os rapazes.

Rapazes que coloca em transe,
Como verdadeiros zumbis.
É o caso de um zumbi francês,
Que depois só dizia: "Oui, oui".

Mas ela também tem uma sina
Que jamais pode ser quebrada:
Se alguém dela se aproxima
Seu coração sente as espetadas.

("Garota Vodu" faz parte do livro "O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias", de Tim Burton, da editora Girafinha)

20 de set de 2007

Desenhos que falam

A vida da ilustradora Beatrix Potter parece um conto de fadas. Como todas as moças inglesas do começo do século 20, ela também tinha sido educada para casar mas, para desgosto da família, suas grandes paixões eram Peter Rabbit e muitos outros personagens encantadores que ela criou. Quem perdeu a chance de ver no cinema, pode alugar: "Miss Potter" é um filme tão delicado quanto o traço mágico de Beatrix.
(Silvana Tavano)