É pra lá que eu vou, desta vez a bordo do Prêmio João-de-Barro conquistado pelo "Psssiu!", em parceria com o ilustrador Daniel Kondo. O livro deve sair aqui ainda neste semestre, mas já vai estar circulando na Feira de Bolonha, em inglês -- agora é torcer para que o "Shhhh!" também faça barulho no estande da Callis.
Até a volta!
Diários da bicicleta
16/03/2012
15/03/2012
Viagem (2)
Querido Sonho, nem sei como agradecer sua visita e as boas novas que me contou na noite passada! É verdade que eu já tinha tomado umas providências importantes -- você sabe como fiquei orgulhosa depois de escrever aquele bilhete despachando o Medo sem a menor cerimônia. Mesmo assim, lá no fundo eu ainda não estava convencida de que ia dar certo. Sabe como é, o Medo explode quando as coisas ficam fora de controle, e tem mais: duvidei que ele fosse se intimidar só por causa de um bilhetinho à toa. Pra dizer a verdade, continuo achando que ele vai aparecer na hora H, é capaz até de ficar me esperando na fila de embarque, louco pra decolar! Pior pra ele. Vai murchar rapidinho quando descobrir que o voo está lotado. Dessa vez, vou com você.
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Silvana Tavano
13/03/2012
Viagem
Oi, Medo, tudo bem? Resolvi escrever porque, como você bem sabe, viajo daqui a alguns dias. Então, antes que você apareça com a mala prontinha pra ir comigo, achei melhor avisar: dessa vez não comprei passagem pra você. Não me leve a mal, mas é que ando meio cansada e seria legal aproveitar pra relaxar, quem sabe até dormir durante a viagem, coisa que nunca consegui voando com você -- a gente acaba conversando a noite inteira, né? Sei o quanto você curte um avião, aquela emoção da decolagem, cada minuto dos mais longos trajetos, com suas turbulências e barulhos inesperados. Já compartilhamos tantos momentos inesquecíveis! Memo assim, agora quero ir sozinha. Espero que entenda e não force a barra.
Prometo contar tudo na volta se você ainda estiver por aqui.
Prometo contar tudo na volta se você ainda estiver por aqui.
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Silvana Tavano
12/03/2012
Prazo
Tarde demais é quando o futuro chega atrasado.
Porque as coisas também têm hora pra acontecer.
Porque as coisas também têm hora pra acontecer.
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Silvana Tavano
09/03/2012
Conto de fadas
Era uma vez um historiador alemão chamado Franz que gostava de ouvir as histórias que os camponeses da sua região conheciam desde sempre e seguiam contando para seus filhos. Passou anos escutando, anotou tim-tim por tim-tim de cada aventura de tantos príncipes corajosos, bruxas terríveis e animais fantásticos até que, um dia, achou que estava na hora de compartilhar aquelas mil e uma histórias com todo mundo. Não deu conta de colocar tudo num único livro, então escreveu três, mas, para a sua decepção, nenhum deles fez muito sucesso na sua época -- Franz morreu em 1886 e sua pequena coleção ficou guardada num arquivo encantado da cidade de Regensburg. A reportagem publicada no Globo não menciona nada, mas acho que deve ter sido uma fada, provavelmente inconformada com tal descaso, que levou a curadora Oberpfalz Erika Eichenseer a descobrir esse tesouro. Resultado: os 500 contos de fadas que permaneceram inéditos durante mais de 150 anos começam a ser publicados a partir de agora. A primeira seleção ganhou o título de “Prinz Roßzwifl” ou "escaravelho” no dialeto local, um tipo de besouro que enterra seus ovos para protegê-los, do mesmo jeito que os textos de Franz preservaram histórias tão preciosas.
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Silvana Tavano
07/03/2012
06/03/2012
Sorvete
Às vezes, a menina que eu fui acorda antes de mim, pula da cama, escolhe a roupa que vou vestir e passa o dia comigo, agitada, pedindo atenção e sorvete de chocolate.
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Silvana Tavano
02/03/2012
O zum-zum-zum das letras
"Dou a impressão de ser meio ranzinza porque meu zumbido muitas vezes soa com certa aspereza. Mas isso faz parte da minha natureza! Não tenho muitas chances de ser suave, e daí? Pra isso existem outras letras. Mesmo assim, confesso que, às vezes, me sinto um zé-ninguém, porque raramente tenho a honra de ser a primeira letra. Se os meus vizinhos mais próximos – especialmente o Xis e o Ipsilon -- não ficam azucrinados com isso, bom pra eles. Eu bem que gostaria de não ser o último da fila do senhor Alfabeto, mas o que posso fazer se a lista foi organizada desse modo? Também não acho razoável vir sempre no finzinho dos dicionários... Só consigo uma vaguinha lá na frente por azar. É dureza! Fico zangado à beça, mas o que me deixa zureta de verdade é ser lembrado sempre no diminutivo, pobrezinho de mim!
Já estou acostumado a ser espezinhado. Eu poderia me extasiar ao me ouvir em termos exóticos como exílio, exaustão, exagero e muitos outros exemplos. Mas, ai de quem me escrever em qualquer dessas palavras num exame -- só assim eu entro mesmo na história, e com a parte ruim, ou seja, uma nota zero!
Sou tão menosprezado que acabo zombando de mim mesmo, é um desastre! E desastre com Esse, claro, o que só aumenta a minha crise. Ô letrinha saliente! Não basta ser obrigatória em todos os plurais, será que ainda precisa infernizar a vida do Cê, da Cedilha e a minha? É desaforo, tenho certeza que o horroroso do Esse faz de propósito! E não adianta vir com essa lorota de que ele também sai no prejuízo! O caso é que o Esse rouba o meu lugar em casa, na mesa e em muitas coisas gostosas por causa de um monte de regras esquisitas. Fico zonzo tentando entender porque minha voz soa com outros grafemas... O Xis reclama com razão, mas comigo é um azougue: o Esse é tão ousado que entra até no que deveria ser o MEU desabafo! Em resumo, acho desprezível que o Esse pose de empresário se valendo do mesmo tom do meu zelador!
Por outro lado, também sou o Zê de zebra e entro em ação sempre que alguém pede o giz, joga xadrez ou conta até dez. É zás-trás: dou uma de Esse, me vingo e fico em paz! Não pensem que sou só azedo. De vez em quando sei me apresentar com polidez. Quem disse que o Zê não combina com maciez?"
...
A zanga do Zê no "Zum-zum-zum das Letras", livro novo saindo em breve, pela Moderna, com projeto gráfico e ilustrações de Guto Lacaz.
Já estou acostumado a ser espezinhado. Eu poderia me extasiar ao me ouvir em termos exóticos como exílio, exaustão, exagero e muitos outros exemplos. Mas, ai de quem me escrever em qualquer dessas palavras num exame -- só assim eu entro mesmo na história, e com a parte ruim, ou seja, uma nota zero!
Sou tão menosprezado que acabo zombando de mim mesmo, é um desastre! E desastre com Esse, claro, o que só aumenta a minha crise. Ô letrinha saliente! Não basta ser obrigatória em todos os plurais, será que ainda precisa infernizar a vida do Cê, da Cedilha e a minha? É desaforo, tenho certeza que o horroroso do Esse faz de propósito! E não adianta vir com essa lorota de que ele também sai no prejuízo! O caso é que o Esse rouba o meu lugar em casa, na mesa e em muitas coisas gostosas por causa de um monte de regras esquisitas. Fico zonzo tentando entender porque minha voz soa com outros grafemas... O Xis reclama com razão, mas comigo é um azougue: o Esse é tão ousado que entra até no que deveria ser o MEU desabafo! Em resumo, acho desprezível que o Esse pose de empresário se valendo do mesmo tom do meu zelador!
Por outro lado, também sou o Zê de zebra e entro em ação sempre que alguém pede o giz, joga xadrez ou conta até dez. É zás-trás: dou uma de Esse, me vingo e fico em paz! Não pensem que sou só azedo. De vez em quando sei me apresentar com polidez. Quem disse que o Zê não combina com maciez?"
...
A zanga do Zê no "Zum-zum-zum das Letras", livro novo saindo em breve, pela Moderna, com projeto gráfico e ilustrações de Guto Lacaz.
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Silvana Tavano
29/02/2012
Verão
Noite quente
Lua amarela
Sol ardente
Noite quente
Céu estrelado
Mar prateado
Noite quente
Noite clara
Beleza rara
A ilustração é da Maria Eugenia.
Lua amarela
Sol ardente
Noite quente
Céu estrelado
Mar prateado
Noite quente
Noite clara
Beleza rara
A ilustração é da Maria Eugenia.
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Silvana Tavano
28/02/2012
Bissexto
De tanto girar em volta do Sol
A Terra vai ficando cansada
E a cada dia que passa
Perde um tempinho na sua jornada
Seis horas em um ano não parece tão grave
O calendário até finge que não sabe
Mas depois do quarto atraso
É preciso dar um jeito no caso!
Tudo entra nos eixos com o ano bissexto
E seu dia extra: 29 de fevereiro
Incrível é que mesmo somando todo o atraso
Esse mês nunca fica inteiro
A Terra vai ficando cansada
E a cada dia que passa
Perde um tempinho na sua jornada
Seis horas em um ano não parece tão grave
O calendário até finge que não sabe
Mas depois do quarto atraso
É preciso dar um jeito no caso!
Tudo entra nos eixos com o ano bissexto
E seu dia extra: 29 de fevereiro
Incrível é que mesmo somando todo o atraso
Esse mês nunca fica inteiro
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Silvana Tavano
24/02/2012
Lapso
Um lapso se explica por si só. É como o seu próprio Pê: uma letra que escapa de repente e se intromete no meio da palavra, saliente e óbvia, mostrando que tem voz, mesmo quando parece muda.
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Silvana Tavano
22/02/2012
Tesouros
Aproveitei o feriadão para enfrentar uma tarefa que venho adiando há muito tempo: abrir uma pilha de pastas cheias de papéis que, um dia, foram importantes. Passei horas rasgando exames médicos, notas fiscais e garantias de coisas que já nem existem, e um monte de isso e aquilos que foram direto para o lixo com suas respectivas pastas. A única que voltou para o armário foi a pasta com os textos que escrevi dos 18 aos 20 anos -- contos que releio e agradeço aos deuses por não ter conseguido publicar nada naquela época. Só que, no meio dessa papelada, encontrei dois escritos muito especiais: num deles, a letra da escritora Lygia Fagundes Telles entre as linhas da minha Olivetti, com anotações e sugestões sobre um conto que havia sido premiado num concurso e que, durante uma entrevista, tive a coragem de pedir que ela lesse. No outro, a letra do poeta Carlos Drummond de Andrade, tão generoso quanto Lygia, respondendo à carta que eu enviara junto com um original que pretendia publicar, contendo um texto dele. Mais do que permitir a reprodução do poema, ele aconselhou: "...Apenas lhe pondero que se trata de um texto bastante longo. Não acha que seria mais próprio transcrever um trecho -- digamos, os 15 últimos dísticos (estrofes de dois versos) para tornar mais leve a citação?"
Não tive chance de citar o poema de Drummond porque o tal "romance" nunca saiu da gaveta. E o primeiro livro que publiquei, 24 anos depois, já não tinha nada a ver com aqueles textos. Ainda assim, não tenho coragem de me desfazer desses papéis: como a carta do poeta e o conto revisado por Lygia, esses primeiros escritos me contam uma outra história: a de um sonho -- o de ser escritora -- que ficou adormecido durante tantos anos dentro de uma pasta.
Não tive chance de citar o poema de Drummond porque o tal "romance" nunca saiu da gaveta. E o primeiro livro que publiquei, 24 anos depois, já não tinha nada a ver com aqueles textos. Ainda assim, não tenho coragem de me desfazer desses papéis: como a carta do poeta e o conto revisado por Lygia, esses primeiros escritos me contam uma outra história: a de um sonho -- o de ser escritora -- que ficou adormecido durante tantos anos dentro de uma pasta.
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Silvana Tavano
17/02/2012
16/02/2012
Igual e diferente
E "O Mistério do Tempo" ficou assim:
Fui juntando lé com cré
até finalmente entender:
é só por causa do que a gente sente
que o tempo parece diferente
...
Gostei muito deste trecho:
No sé si el tiempo que pasó
va más lento que el de adelante.
Siento que el reloj del corazón
tiene otro ritmo: más emocionante.
Tomara que os pequenos argentinos também gostem da tradução de Maria Nazareth Ferreira Alves.
Fui juntando lé com cré
até finalmente entender:
é só por causa do que a gente sente
que o tempo parece diferente
...
Gostei muito deste trecho:
No sé si el tiempo que pasó
va más lento que el de adelante.
Siento que el reloj del corazón
tiene otro ritmo: más emocionante.
Tomara que os pequenos argentinos também gostem da tradução de Maria Nazareth Ferreira Alves.
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Silvana Tavano
14/02/2012
Bichos
A pressa é um pernilongo agitado. Fica rodeando com aquele zum-zum-zum irritante, não disfarça a presença nem a intenção: só quer mesmo é sugar uns goles do nosso tempo-sangue de canudinho. A preocupação tem mais a ver com um mosquito chato. O danado não pica, mas fica lá, incômodo e feio, esperando um terromoto de braço ou uma ventania de mão pra sair de perto. Quando a preocupação cheira a desconfiança, a gente não vê, mas tem certeza de que tem pulga atrás da orelha. E quando ela salta, a coceira se espalha por toda parte. É diferente da dor forte de uma ferroada de abelha -- essa vai fundo e direto ao ponto. Machuca, arde e não para de latejar enquanto o ferrão não sai. Já a tristeza é uma aranha silenciosa, dessas que chegam de mansinho e vão tecendo uma teia invisível, com um emaranhado de nós que prendem na garganta e apertam o peito da gente.
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Silvana Tavano
13/02/2012
10/02/2012
Escrever
Faz calor. Todas as janelas estão abertas e o ar da manhã entra devagar, tímido. Quase não se move: passa pelas portas sem fazer ruído, preenche os quartos sem frescor de novidade. Então olho pra fora, à procura de histórias no céu e na calçada, e mais uma vez escuto as palavras me chamando pra dentro, num sussurro que ecoa pelos cantos da casa.
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Silvana Tavano
08/02/2012
Lavanda
Embutido em uma das paredes do meu quarto, dorme um cofre. A peça já estava lá quando vim para esta casa e, mais por preguiça de encarar uma obra do que por desejo ou necessidade de ter um cofre, ele continuou ali, escondido, como sempre esteve, atrás de um quadro. Imagino que, no passado, o cofre guardou objetos de valor, papéis importantes, quem sabe quantos segredos de família permaneceram anos e anos calados lá dentro? Ontem, lendo "A Poética do Espaço" me lembrei dessa pequena caverna de aço encravada na minha parede e resolvi dar uma olhada -- atrás da porta apenas encostada, dei de cara com um passado que não me pertence, enclausurado num espaço vazio e escuro, cheirando a abandono. Pior: imaginei a reação de um eventual ladrão ao encontrar um cofre aberto e sem nada dentro, virando a casa pelo avesso pra tentar achar "riquezas" em outro esconderijo!
Decidi que a peça vai sair dali na próxima reforma. Até lá, o cofre segue disfarçado atrás do quadro, só que, agora, guarda ao menos o perfume de um sachê de lavanda.
Decidi que a peça vai sair dali na próxima reforma. Até lá, o cofre segue disfarçado atrás do quadro, só que, agora, guarda ao menos o perfume de um sachê de lavanda.
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Silvana Tavano
05/02/2012
Sol
Quieto e quente o vento
Também quer descansar
Flutuando no azul de domingo
Com preguiça de ventar
A ilustração é da Maria Eugenia
Também quer descansar
Flutuando no azul de domingo
Com preguiça de ventar
A ilustração é da Maria Eugenia
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Silvana Tavano
03/02/2012
Tempo
Enquanto espero a divulgação da lista de aprovados no vestibular da Fuvest, passeio pelo blog e encontro neste post, de 2008, a mesma sensação: também hoje, aguardo o futuro já sentindo saudade do presente.
...
Último dia de aula. Meninas e meninos vão saindo dos carros enfileirados na porta da escola. Presa no congestionamento, vejo meu filho ajeitando a mochila nas costas, pronto pra atravessar a rua assim que o guarda der o sinal. Olho com carinho para essa cena que tenho visto tantas vezes nos últimos anos e, mais uma vez, tento reter cada detalhe na memória.
Quando ele finalmente cruza o portão e segue, confiante, sobre suas longas pernas finas de adolescente, tenho subitamente duas certezas: a de está tudo certo, e de que o tempo é uma ilusão.
Antes de virar à esquerda ainda arrisco olhar pelo espelho retrovisor uma última vez, mas ele não está mais lá. Retomo meu caminho levando junto a saudade que já sinto do presente.
...
Último dia de aula. Meninas e meninos vão saindo dos carros enfileirados na porta da escola. Presa no congestionamento, vejo meu filho ajeitando a mochila nas costas, pronto pra atravessar a rua assim que o guarda der o sinal. Olho com carinho para essa cena que tenho visto tantas vezes nos últimos anos e, mais uma vez, tento reter cada detalhe na memória.
Quando ele finalmente cruza o portão e segue, confiante, sobre suas longas pernas finas de adolescente, tenho subitamente duas certezas: a de está tudo certo, e de que o tempo é uma ilusão.
Antes de virar à esquerda ainda arrisco olhar pelo espelho retrovisor uma última vez, mas ele não está mais lá. Retomo meu caminho levando junto a saudade que já sinto do presente.
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Silvana Tavano
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