11 de abr. de 2020

bombom

às 11 da noite, pulo da cama, visto uma malha em cima do pijama -- uma malha bonita – me penteio e desço correndo pelas escadas: chego em cinco minutos, dizia a mensagem, e já faz mais de cinco que olho pra rua deserta, o silêncio da noite ecoando o silêncio dos dias, 28 dias desde o último encontro, e nem percebo a saudade abrindo o portão do prédio, eu passeando pela praça vazia, na mão um bombom que lembrei de trazer, não é o que você mais gosta, mas é doce e macio, o abraço que não posso dar, amor embrulhado no gesto possível, penso, e de repente um vento frio me cobre de tristeza, mas não, não agora que a lua cheia aparece afastando as nuvens e ilumina o carro que dobra a esquina e buzina acordando a noite, e você: andamos lado a lado e você tem um ano, três anos, oito anos e todos os tempos giram entre nós enquanto vejo você tão alto andando entre as árvores que também cresceram, ainda a mesma praça e nós tão outros, falando de coisas sem importância, você diz que não aguenta mais comer grão de bico e rimos juntos quando conto do medo com a panela de pressão apitando histérica, e nós calmos, as palavras se entrelaçando feito mãos, o bombom já no seu bolso, caminhamos devagar em direção ao carro que sigo pela rua logo deserta outra vez, no silêncio que agora é paz.

2 comentários:

Tiane disse...

Olha quem voltou! Que surpresa boa!

silvana tavano disse...

:)