13 de abr de 2018

mil


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   Durante muito tempo era apenas o Um. 
   Certo dia, alguém apareceu com o Dois, o siamês ensimesmado que olhou pra mim de um jeito azul pedindo pra ficar. Ficou. 
   Um não tinha a majestade e a beleza felina de Dois, mas era lindo o seu afeto mamífero, a vira-latice que não escolhia hora pra me lamber de beijos, e com essa mesma doçura acolheu Dois, de peito aberto, mostrando logo que queria virar par. No começo, Um se fez de difícil, mas com o passar dos dias, tudo foi se encaixando numa sequência lógica. Até... a chegada de Três. O cachorrão levou algum tempo para conquistar a confiança da dupla, mas com meiguice de proporções equivalentes ao seu tamanho (além da determinação ímpar!), Três acabou provando que não era demais. Um foi o primeiro a ceder ao convite do rabo brincalhão; e Dois se acostumou a dormir, macio, no quentinho da barriga de Três, golden feito de mel, no mesmo tom de caramelo dos seus pelos e dos seus instintos grudentos.
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