25 de fev de 2011

Das coisas que fervem

Minha querida prima Bia Junqueira é atriz e também dá aulas na Companhia do Teatro Contemporâneo, no Rio de Janeiro. O curso deste ano tem um nome encantador: “A Felicidade de Atuar”, com aulas dirigidas, segundo ela, a todas as pessoas que querem se aproximar da arte de representar de forma lúcida e lúdica. Dias atrás, Bia escreveu contando que tinha dado uma aula inspirada num post publicado aqui -- fiquei feliz e também curiosa pra ver a “preguiça” em cena. Em seguida, ela perguntou se eu me animaria a escrever alguma coisa sobre a... raiva. 
Concordei na hora mas, depois, confesso que empaquei. Difícil! Taí uma coisa que não gosto de sentir e nem de pensar sobre. Mesmo assim, pensei. E a primeira imagem que passou pela minha cabeça foi a de um comprimido efervescente caindo dentro de um copo de água: de repente, tudo o que estava calmo começa a borbulhar, numa reação química eletrizante que altera drasticamente o estado natural do líquido.
O efeito da raiva é bem parecido com isso -- o comprimido pode ser uma notícia, uma situação ou uma pessoa. Algo que provoca, irrita, transtorna: as emoções fervem, os piores pensamentos explodem e tudo se agita numa inquietação fora do normal. Só que, diferente da pastilha efervescente que a gente toma como remédio, uma pílula de raiva é veneno puro, faz mal para o estômago e adoece a alma.

(ST) 
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