19 de jan de 2011

Sobre a preguiça

Ela não precisa de convite pra aparecer e fica à vontade mesmo que a gente não faça sala nem ofereça cafezinho. É que a preguiça é folgada por natureza. Não dá pra vacilar: basta abrir a porta e a danada já vai se espalhando pela casa sem fazer a menor cerimônia. O pior é que ela não tem assunto, não traz novidade, não engata nenhuma conversa. A preguiça não quer nada com nada, só quer ir ficando, assim, sem pressa e sem compromisso, de preferência esticada num sofá bem confortável.
É verdade que, de vez em quando, é até gostoso estar em sua companhia, deixar-se levar pelo seu espírito de contemplação, passar um tempo vendo o tempo passar. O problema é que a preguiça não vai embora enquanto a gente não toma uma atitude mais radical, tipo levantar do sofá e dizer claramente que a
hora da visita terminou. Parece simples, mas não é. Acontece que a preguiça tem poderes hipnotizantes. Com aquele jeitão de quem não quer nada, vai envolvendo a gente numa nuvem de torpor meio imobilizante: depois de um tempo o corpo não obedece à ordem de “mexa-se”, os olhos embaralham as letrinhas, os pensamentos se acostumam com a folga e tudo vira um grande aborrecimento. 
    
(ST)
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