18 de abr de 2008

No Sítio do Picapau Amarelo

O pôr do sol de hoje é de trombeta -- disse Emília, com as mãos na cintura, depézinha sobre o batente da porteira, onde, naquela tarde, depois do passeio pela floresta, o pessoal de dona Benta havia parado. Eles nunca perdiam o ensejo de aproveitar os espetáculos da natureza. Nas chuvas fortes, Narizinho ficava de nariz colado à janela, vendo chover. Se ventava, Pedrinho corria à varanda com o binóculo para espiar a dança das folhas secas -- "quero ver se tem saci dentro". E o Visconde dava explicações científicas para todas as coisas.
O pôr do sol daquele dia estava realmente lindo. Era um pôr de sol de trombeta. Por quê? Porque Emilia tinha inventado que em certos dias o Sol "tocava trombeta a fim de reunir todos os vermelhos e ouros do mundo para a festa do acaso".
(Trecho de "A Chave do Tamanho", publicado em 1942)
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