30 de jun de 2010

A mágica das palavras

Estou lendo um desenho animado. "Tudo Depende de Como Você Vê as Coisas" foi lançado em 1961 e tem 257 páginas, mas Norton Juster consegue fazer com que a gente "assista" o texto como se fosse uma animação, e as ilustrações de Jules Feiffer -- maravilhosas -- só ajudam o leitor a mergulhar no clima de um longa metragem.
O melhor de cada história é a forma como ela é contada e as sensações que provoca em cada um de nós, leitores. Às vezes o texto soa como música, dá pra ouvir a melodia de palavras marcando o compasso da trama, a gente entra no ritmo do enredo. É o que eu chamo de livro-sinfonia. E quem já não leu um livro cinematográfico, desses que fazem a gente imaginar cenários e atores com tanto realismo que fica difícil gostar de uma eventual versão quando a história vira filme de verdade. E também tem aqueles diálogos especiais, que colocam o leitor na plateia de uma peça de teatro. Nos livros de Salinger, sempre tenho a sensação de que estou sapeando a conversa na mesa ao lado -- é como se eu estivesse vendo o personagem dizer a frase, com aquelas reticências nervosas desenhando as expressões do rosto de quem fala.
Cada livro me leva pra um lugar, e de um jeito diferente. Não é mágica o nome disso?

(ST)
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