8 de mai de 2009

Uma ideia (3)

A história de Luesse talvez continue mais ou menos assim. Pra seguir o fio dessa meada, clique aqui, e depois aqui.
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Tem dias em que fico meio agitada. Hoje é um desses dias. Ninguém percebe, eu acho. De repente, dá uma vontade de sair correndo da classe. Agora mesmo, não consigo prestar nenhuma atenção no que o professor de filosofia está dizendo. Ele anda de um lado para o outro, percorre os corredores entre as carteiras, vejo a boca dele mexendo sem parar, só por isso sei que ele está falando. Cada vez que ele vira de costas pra mim, olho o relógio em cima da porta e me impressiono porque os ponteiros continuam praticamente no mesmo lugar. Então penso: quem sabe eu começo a correr e o tempo acorda? O olhar de um menino que senta perto da porta me tira do transe – de repente, me dou conta que ele pode achar que estou olhando pra ele. Só faltava essa! Vão começar a falar. Respiro pela boca, puxo o ar pra tentar voltar, quero me concentrar na aula. Gosto de filosofia, e o professor é genial. Será que ele tem filhos? Deve ser bom ter um pai filósofo, que fala sobre coisas interessantes na hora do jantar... Lá em casa não tem jantar.
Desde que meus pais se separaram, minha mãe instituiu o lanche como refeição noturna, um misto de café da manhã com sobras do almoço. Ela acha isso prático porque nossos horários são diferentes. Eu lancho às 7 da noite, ela costuma estar em casa entre 9 e 10 ou até mais tarde, depende do trabalho, e minha irmã só chega à meia-noite, depois da faculdade.
Não sei se essa falta que sinto é de uma comida fresquinha com conversa gostosa ou de um pai.

(Silvana Tavano)

4 comentários:

Nicté disse...

oi! Estou xeretando seu blog, só não comento tudo, e estou adorando! Essa história de "Uma idéia" está divertida: vai seguir em frente?
Vou continuar espiando por aí.
Um abraço.
(dê uma passadinha no meu blog kitanatana.blogspot.com!!)

Márcio Almeida Júnior disse...

Silvana, vim mais uma vez ver as voltas da sua bicicleta, desta vez com Gaby, minha filha, e Sophia, minha neta. Gaby e eu mandamos um abraço e Feliz Dia das Mães.

Anônimo disse...

Cunhada, esta história vai virar um livro? Não sabia como surgia um livro, que era assim aos pouquinhos. beijos.

Cmoon... disse...

Fico tão feliz de ler seus textos ...
Feliz dia das Mamães Sil...bj
:)