23 de abr de 2009

Uma ideia

Entro no carro e resmungo um bom dia sonolento. A boca preguiçosa da Dani não abre, só entorta um pouquinho. Esse é o jeito que ela sorri às 6 e meia da manhã. Alguma coisa parecida com um oi sai junto com o bocejo da Sofia. O Edu está procurando alguma coisa na mochila, parece nervoso, e o pai deles, “seu” Zé Carlos, está mal humorado, como sempre, às terças. O trajeto até a escola é mais animado às quartas e sextas, a mãe da Dani não consegue não falar. Sempre pergunta alguma coisa pra um de nós. Ela é ok, mas, às vezes, acho que ela força um pouco. O pai também. Sempre penso neles como uma daquelas famílias-margarina de comercial de televisão. Desconfio. Mas isso tem a ver comigo. Sou desconfiada.
Segundas e quintas sempre vamos com minha mãe. Antes de ligar o carro, ela checa o batom no espelhinho, acende um cigarro e engata, acelerada, já fazendo as recomendações do dia entre uma tragada e outra. Ela vive querendo parar de fumar. Quer dizer, vive dizendo que quer parar de fumar. Eu me acostumei a ver minha mãe através da fumaça.


Diários da bicicleta: ainda não sei onde essa história vai me levar, nem se isso vai virar uma história. Mas quase sempre é assim que escrevo e gosto dessa sensação de que é a história que vai me escrevendo.

(Silvana Tavano)
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