7 de abr de 2009

Auto-ajuda

É verdade que a conversa era chata. Bem chata. Mas eu não conseguia pensar num jeito de sair dali sem parecer indelicada. Era uma daquelas situações em que a gente tem que dar um tempo, fingir algum interesse fazendo uma ou outra perguntinha antes de finalmente poder se despedir, lamentando pela falta de tempo e tal. E lá estava eu, dando o melhor de mim, quando bato os olhos nessa figura: sentado no sofá do meu lado, aparentemente conformado de ter que pagar aquele mico, meu filho rabiscava esse torpedo-SOS. Não sei se foi a expressão angustiada do personagem ou o toque urgente e ligeiramente ameaçador do ponto de exclamação que me fez levantar sem dar chance de ser convidada pra mais um cafezinho. Foi meio abrupto, mas acho que a pessoa nem notou. Continuou falando e falando -- ai, que pena, mas já? -- e tudo bem. Ela estava ótima, nós é que não aguentávamos mais.
Guardei o papelzinho e até hoje, quando percebo que estou virando refém de uma dessas conversas chatas, lembro do desenho. É o meu sinal pra dizer "fui".

(ST)
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