4 de nov de 2010

Os nojentos

São muitos e moram todos juntos, na mesma caixa. Várias aranhas gosmentas, uma lagartixa molenga, duas baratas pretas, um rato cinza peludinho, o sapo borrachudo e mais um monte de cobrinhas e minhocas pegajosas que vivem se enroscando. No meio de tudo, pedaços de coisas que já foram cobras e minhocas ou qualquer outro bicho nojentamente dilacerado. De vez em quando, uma das aranhas aparece no meio dos lençóis da cama de alguém, as baratas invadem a cozinha e o sapo gordo vai pra escola, dentro da mochila. O menino adora pregar susto em todo mundo, mas se diverte mesmo sem isso. É só abrir a caixa e espalhar a turma no chão do quarto pra começar uma história bem nojenta com a lagartixa grudando no rato ou o sapo abocanhando um ninho de minhocas.
Não sei que fim levou a caixa dos nojentos, assim como tantos outros brinquedos da infância, mas, até hoje, quando meu filho entorta a boca e franze o nariz, vejo aquele menino fazendo careta pra barata. Agora, quem me prega susto é o tempo que passou tão depressa.

(ST)
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