1 de mar de 2010

Vai um vampirinho?

Pensei que a sede de leituras vampirescas já estivesse acabando. Mas, passeando por uma grande livraria do shopping, vi que estou completamente equivocada e por fora. Expostos numa mesa enorme, trocentos títulos sobre a saga, a fúria, o despertar, os diários, uma biografia, a enciclopédia (!), a guerra e a paz, as paixões. Tinha um livro até sobre o "dente" do vampiro. Impressionante.
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Uma amiga sugeriu: por que você não escreve a história de um vampirinho? Comecei a imaginar um garotinho branquelo, tristonho e cabisbaixo, rodeando a mesa da livraria. Estava chateadão porque também queria ter o seu momento-celebridade, mas ainda não tinha encontrado alguém disposto a publicar seu livro. Não se conformava de perder a carona na maré de sucesso dos mais velhos. É verdade que a primeira história não era lá essas coisas -- "Tem uma pegada Gasparzinho, é meio antiga", disse o agente, depois de ler as 458 páginas das "Aventuras de um Pequeno Vampiro Solitário". Mesmo assim, ele não desistiu. Reescreveu tudo, inventou cenas dramáticas, exagerou, e não adiantou. O novo enredo também não tinha empolgado ninguém. O último agente nem achou tão ruim assim, mas disse que a história não ia render filme, série na tv, desenho animado. Enfim, não tinha futuro. Depois disso, o pobrezinho deprimiu de vez. Deve ser difícil ouvir uma coisa dessas quando a gente tem a eternidade toda pela frente.

(ST)
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