17 de mar de 2010

Despertar

Ultimamente não tenho conseguido ler à noite. O sono sempre ganha por nocaute antes do terceiro parágrafo. Mas ontem li "Memórias Inventadas -- As Infâncias de Manoel de Barros" do começo ao fim. Tudo lindo, a edição, as iluminuras de Martha Barros e as palavras do poeta.

No quintal a gente gostava de brincar com palavras
mais do que de bicicleta.
Pruncipalmente porque ninguém possuía bicicleta.
A gente brincava de palavras descomparadas. Tipo assim:
O céu tem três letras
O sol tem três letras
O inseto é maior.
O que parecia um despropósito
Para nós não era despropósito.
Porque o inseto tem seis letras e o sol só tem três.
Logo o inseto é maior (Aqui entrava a lógica?)
Meu irmão que era estudado falou quê lógica quê nada
Isso é um sofisma. A gente boiou no sofisma.
Ele disse que sofisma é risco n'água. Entendemos tudo.
...


Como é bom quando as palavras despertam a gente.

(ST)
Postar um comentário