27 de fev de 2009

Jogo de palavras

A meia esquenta o pé -- é ou não é?
Mas o pé de meia é o dinheiro da economia, sabia?

Meia também é quanto paga o estudante
E "meia volta, volver" é o giro do soldado infante

Pode ser metade de uma dúzia ou metade de uma hora
Mas isso é outra história...

(Silvana Tavano)

Como num jogo

“Às vezes começa-se a brincar de pensar, e eis que inesperadamente o brinquedo é que começa a brincar conosco".

Clarice Lispector em "Aprendendo a Viver"

Vamos?


Minha vontade de sair por aí passeando deu de cara com esses olhinhos sonhadores (mais dedo na boca) dizendo: "Eu quero". A imagem é do Copenhagen Cycle Chic.

(Silvana Tavano)

26 de fev de 2009

Calendoscópio

Só mesmo um mês curtinho como fevereiro
Pra ter uma semana como esta, com dois dias e meio!


(Silvana Tavano)

Sobre cocôs


Escatologia mais do que permitida pra menores de idade: encontrei a animação "Da Pequena Toupeira que Queria Saber Quem Tinha Feito Cocô na Cabeça Dela" no ótimo Literatura Infantil y Juvenil Actual -- fiel ao livro (de Werner Holzwarth, editado aqui pela Cia das Letrinhas), o curta narra a divertida investigação da toupeirinha, disposta a achar o culpado e se vingar na mesma moeda.

(ST)

24 de fev de 2009

4 chances de ver as coisas de sempre de outro jeito

1. usar um óculos com lente colorida
2. passar na frente daqueles espelhos que encolhem e esticam
3. subir numa escada
4. ficar em São Paulo num feriadão


(ST)

19 de fev de 2009

Planos para o carnaval (2)

Também está difícil escolher a fantasia: Emília, Sherazade, Pippi Meialonga, Mary Poppins...? Sei lá. Acho que vou simplificar: de repente, é só sair por aí com uma bolsa amarela, né?

(Silvana Tavano)

17 de fev de 2009

Planos para o carnaval

Ainda não sei se vou pra Terra do Nunca, se pego a estrada pra Oz ou se entro na toca do Coelho Branco. E você, já programou sua viagem?

(Silvana Tavano)

16 de fev de 2009

Coleções

Outro dia li uma reportagem sobre crianças e a mania de colecionar. Como todo assunto ligado a comportamento, esse também não escapou de um "estudo científico" que comprovou algumas coisas óbvias (exemplo: crianças que gostam de colecionar coisas são mais organizadas e curiosas) e outras nem tanto. A tal pesquisa dizia que essas crianças são menos estressadas e têm uma auto-estima melhor porque o lance de manter uma coleção teria a ver com aceitar desafios e valorizar as coisas que possuem. Pra mim, isso é praticamente "todo mundo", porque não conheço nenhuma criança que não tenha pelo menos uma coleçãozinha -- de conchas, gibis e figurinhas a papéis de carta, moedas, selos e miniaturas de tudo. Meu filho teve coleção de carrinhos, de dinossauros e, a minha preferida, a dos nojentos: baratas, aranhas, insetos e coisas molengas e grudentas guardadas numa caixa especial. De longe, essa era a coleção mais interessante nas categorias originalidade e dificuldade (pra aumentar a coleção com novos ítens).
Posso estar enganada, mas acho que essas duas características, a originalidade e a dificuldade, são as mais importantes também nas coleções de gente grande. Claro que deve ter um estudo explicando por que alguns adultos continuam gostando dessa brincadeira, mas será que isso tem alguma importância? Sempre achei que as caixinhas de fósforo têm o poder de (re)acender a memória dos lugares de onde vieram (não são lindas essas caixinhas indianas?). E imagino quem guarda todos os ingressos de filmes, peças e shows como alguém que, de algum jeito, quer reingressar nas emoções de outros tempos. Mas tem quem colecione canetas, cartões postais, bonecas antigas e até pinguins de geladeiras, sem que isso tenha um significado. Só por gosto.
Eu não chego a ter uma coleção organizada mas, confesso, tenho um fraco por cadernos e bloquinhos. E você?

(Silvana Tavano)

Por dentro dos livros

15 de fev de 2009

Pirlimpimpim

"No futuro, a obra literária será apresentada sob forma de essências em frasquinhos ou de alguma especial eletricidade acumulada em bobinas. Sorvendo a essência ou pondo-se em contato com o fluido, o leitor terá, desdobrado na tela da imaginação, o romance que o autor enfrascou ou acumulou e sentirá as mesmas emoções que o romancista sentiu.
...
Não se dirá como hoje: li um romance, e sim -- cheirei.
-- Marieta, onde pôs você o "Professor Jeremias" que estive cheirando ontem?
-- Caiu das mãos da Valéria e quebrou-se.
-- Mande à farmácia comprar outro. E mais uns novos, "Vida Ociosa", "Condenados", por exemplo.
-- Fluido ou comprimidos?
-- Em comprimidos. Com estas criadas, impossível uma biblioteca fluida...

("Em 2527", de Monteiro Lobato, foi publicado pela primeira vez em 1923, na primeira edição de "Mundo da Lua")

13 de fev de 2009

Sexta, 13. Oba!


Hoje a bruxa Creuza vai caprichar na meditação. E você?

(Ilustração de Graça Lima para em "Encrencas da Creuza")

12 de fev de 2009

Um pé de perguntas

Era uma vez uma árvore triste que teimava em continuar vivendo, apesar do abandono e da solidão. Cercado de lixo e desinteresse, o que, um dia, tinha sido um frondoso chapéu-de-sol, havia se transformado numa espécie de "pé-de-concreto", plantado numa esquina cinza.
...
Esse tronco tão machucado, uma árvore pálida de alma ressecada, parecia já ter uma história com um final previsível e nada feliz. Mas um novo personagem, fundamental, entra em cena e muda toda a situação: a parede suja desaparece debaixo de grafites inspiradores (pinturas que, pouco a pouco, pulam pra outros muros das ruas vizinhas..), o chão árido se cobre de seixos brancos, e a árvore, que parecia condenada, renasce vigorosa e, adivinhe, cheia de perguntas!

















O personagem-heroi dessa história é o artista plástico Jaime Prades -- foi dele a iniciativa de transformar a antiga esquina acabrunhada numa praça alegre e amigável que, agora, abriga uma linda árvore-perguntadeira. Você se importa com a natureza? Por que jogamos lixo na rua? Qual é o futuro que estamos construindo? Essas são algumas das indagações que nasceram e estão penduradas lá na árvore, que agora anda verdinha e exibida, na confluência das ruas Apinagés com Herculano e Soledade, a dois passos da avenida Heitor Penteado, em São Paulo.

(ST)

11 de fev de 2009

Algumas ideias sobre... as ideias

As ideias estão por aí, em toda parte e de tudo que é jeito. Muitas são bem discretas, não chamam a atenção de ninguém, mas isso não quer dizer que não sejam boas. Pelo contrário: às vezes, a ideia mais simplesinha é justamente a que acaba se revelando genial!
Tem as mais óbvias, que todo mundo vê -- algumas são até exibidas, ficam piscando pra gente. Mas, mesmo essas, podem se juntar de jeitos interessantes e originais.
Depende muito da gente, e o motivo é simples: quando uma delas entra na nossa cabeça, normalmente fica dando voltas até encontrar um lugarzinho pra se encaixar. Daí, a ideia pode se acomodar durante um tempo, mais ou menos quieta. Mais ou menos porque, sendo uma ideia, ela é agitada por natureza: está sempre querendo encontrar outras ideias, um pouco pra se comparar mas, principalmente, pra se completar: é que as ideias gostam de crescer.
Uma ideia madura fica bem redondinha. Nessa hora, ela costuma saltar pra fora da cabeça onde cresceu. Sai rolando pelo mundo e, aí, tudo pode acontecer. Se for uma boa ideia, vai convencer, inspirar, encantar as pessoas. Quanto melhor for, mais chances a ideia terá de se multiplicar e se espalhar, participando da criação de todas as coisas. Todas mesmo.
Pecado é quando uma ideia se perde, ou fica solitária, e acaba murchando num canto qualquer, sem chance de se provar. Mesmo que não seja a melhor ideia do mundo, acreditem, sempre é um desperdício.

(Silvana Tavano)

9 de fev de 2009

Era uma vez já

Mãe, conta uma história
Agoragoragoragora

Começa logo, não demora
Agoragoragoragora

Senão eu durmo na melhor hora
Agoragoragoragora

(Silvana Tavano)

6 de fev de 2009

5 motivos pra gostar do vento

1. varre o chão sem vassoura
2. funciona como uma espécie de ar condicionado pras árvores
3. leva e traz cheiro de chuva, de bolo e de flor
4. muda o desenho das nuvens
5. faz a gente lembrar que as coisas invisíveis existem

(Silvana Tavano)

5 de fev de 2009

Viagem a Portugal

Tenho passeado bastante por algumas ótimas "casas portuguesas" -- começo quase sempre pelo Letra Pequena, da jornalista Rita Pimenta, e depois sigo, de blog em blog, por Alcameh, Planeta Tangerina, O Jardim Assombrado e tantos outros "sítios" dedicados à literatura infanto-juvenil. Dia desses, cheguei ao Abrapalavra, um blog-oficina de leitura e escrita criativa, feito pelos alunos de uma escola de Vila Nova da Barquinha, uma pequena cidade da região de Santarém, no centro de Portugal. E não é que achei um poema meu publicado ? Até li em voz alta, caprichando no acento: "ficou bonito, pá, fiquei contente."

Tantas palavras

Abracadabra, um, dois, três
Não vai sair coelho dessa vez?

Abracadabra, toc, toc, toc
Essa mágica precisa de retoque!

Abracadabra, tum, tum, tum
Nada de coelho -- nem ao menos um?

Abracadabra, ora, ora, ora
É uma letra saindo da cartola?

Abrapalavra, um, dois, três
Aparecem as, bês e cês!

Abrapalavra, toc, toc, toc
Mil palavras e mais mil no estoque!

Abrapalavra, ora, ora, ora
Tantas palavras contam uma história!

Abracadabra, abrapalavra, salabim
Que delícia é fazer mágica assim!


(Silvana Tavano)

4 de fev de 2009

Sorte

Uma borboleta amarela
Pousou na minha janela

Recém-saída do casulo
Recém-nascida: nova vida

Ficou ali um tempão
Lagarta ainda em transformação

Estreando a asa dourada
Num voo mágico de fada

(Silvana Tavano)

3 de fev de 2009

Tá na hora de dormir

Animação cinco estrelas: a menininha (Isabela Guasco) dorme com os anjos mesmo depois de ouvir três histórias arrepiantes que a vovó (Miriam Muniz) conta no curta de animação "Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)", de Victor Hugo Borges. Pra assistir, e só clicar no Porta Curtas.

Bis

O dia é de correria e não consegui inventar nada pra hoje, mas lembrei do miniconto "Sobre as invenções", um dos primeiros que publiquei, aqui e na Folhinha, em 2007.

Quando eu crescer, acho que vou ser inventor.
É que existem umas coisas muito importantes que ainda não foram inventadas.
Por exemplo: um medidor de amor. Se dá pra medir febre, por que não dá pra medir amor? Não deve ser assim tão impossível inventar um amorzômetro. Já pensou? A gente coloca o aparelho perto do coração das pessoas e pronto. Se já tivesse um desses hoje em dia eu não precisava ficar perguntando pra minha mãe se ela gosta mais de mim do que do chato do meu irmão. Eu também queria inventar alguma coisa pra ler pensamentos de animais. Bom, mesmo que não funcione com todos os animais... Mas que sirva pelo menos pra cachorros. Porque eu tenho certeza que o meu cachorro pensa, filosofa até. É só olhar pra cara dele, aqueles olhões estão cheios de pensamentos. Têm coisas que eu entendo: um latido = oi; dois = vamos dar uma volta; três = você demorou pra chegar; muitos latidos juntos = estou muito feliz ou muito bravo (depende do tom). Mas não é muito fácil descobrir o que ele está pensando quando ele só olha, sem latir. É uma pena, a gente não consegue trocar uma ideia. E eu passo muito mais tempo com ele do que com os meus amigos da escola.
Também acho que devia existir um jeito de escolher o sonho. Sei lá, alguma coisa que a gente fizesse ou tomasse antes de dormir, quem sabe um xarope? Daí era só escolher a história, como se fosse um filme do cinema. Podia ter xarope sabor viagem espacial, xarope sabor férias, até xarope sem sabor, com direito a sonho-surpresa. Claro que tinha que acertar bem a dose, senão o sonho podia virar pesadelo -- será que é por isso que ainda não inventaram nada assim?
Fico pensando e lembro de um monte de coisas que podiam ser inventadas. Tem óculos de sol, mas não tem óculos de chuva, com limpador de vidro, igual aos dos carros. Tem remédio pra dor de barriga, mas não tem remédio pra medo de escuro (alguma coisa que não seja abajur e resolva o problema rapidinho).
Falta tanta coisa nesse mundo!


Ainda gosto desse miniconto -- e vocês?

(Silvana Tavano)

2 de fev de 2009

1 de fev de 2009

Faz de conta

"As crianças desadoram os brinquedos que dizem tudo, preferindo os toscos nos quais a imaginação colabora. Entre um polichinelo e um sabugo, acabam conservando o sabugo. É que este ora é um homem, ora uma mulher, ora é carro, ora é boi -- e o polichinelo é sempre um raio de polichinelo".

(Monteiro Lobato)