3 de fev de 2009

Bis

O dia é de correria e não consegui inventar nada pra hoje, mas lembrei do miniconto "Sobre as invenções", um dos primeiros que publiquei, aqui e na Folhinha, em 2007.

Quando eu crescer, acho que vou ser inventor.
É que existem umas coisas muito importantes que ainda não foram inventadas.
Por exemplo: um medidor de amor. Se dá pra medir febre, por que não dá pra medir amor? Não deve ser assim tão impossível inventar um amorzômetro. Já pensou? A gente coloca o aparelho perto do coração das pessoas e pronto. Se já tivesse um desses hoje em dia eu não precisava ficar perguntando pra minha mãe se ela gosta mais de mim do que do chato do meu irmão. Eu também queria inventar alguma coisa pra ler pensamentos de animais. Bom, mesmo que não funcione com todos os animais... Mas que sirva pelo menos pra cachorros. Porque eu tenho certeza que o meu cachorro pensa, filosofa até. É só olhar pra cara dele, aqueles olhões estão cheios de pensamentos. Têm coisas que eu entendo: um latido = oi; dois = vamos dar uma volta; três = você demorou pra chegar; muitos latidos juntos = estou muito feliz ou muito bravo (depende do tom). Mas não é muito fácil descobrir o que ele está pensando quando ele só olha, sem latir. É uma pena, a gente não consegue trocar uma ideia. E eu passo muito mais tempo com ele do que com os meus amigos da escola.
Também acho que devia existir um jeito de escolher o sonho. Sei lá, alguma coisa que a gente fizesse ou tomasse antes de dormir, quem sabe um xarope? Daí era só escolher a história, como se fosse um filme do cinema. Podia ter xarope sabor viagem espacial, xarope sabor férias, até xarope sem sabor, com direito a sonho-surpresa. Claro que tinha que acertar bem a dose, senão o sonho podia virar pesadelo -- será que é por isso que ainda não inventaram nada assim?
Fico pensando e lembro de um monte de coisas que podiam ser inventadas. Tem óculos de sol, mas não tem óculos de chuva, com limpador de vidro, igual aos dos carros. Tem remédio pra dor de barriga, mas não tem remédio pra medo de escuro (alguma coisa que não seja abajur e resolva o problema rapidinho).
Falta tanta coisa nesse mundo!


Ainda gosto desse miniconto -- e vocês?

(Silvana Tavano)
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