16 de fev de 2009

Coleções

Outro dia li uma reportagem sobre crianças e a mania de colecionar. Como todo assunto ligado a comportamento, esse também não escapou de um "estudo científico" que comprovou algumas coisas óbvias (exemplo: crianças que gostam de colecionar coisas são mais organizadas e curiosas) e outras nem tanto. A tal pesquisa dizia que essas crianças são menos estressadas e têm uma auto-estima melhor porque o lance de manter uma coleção teria a ver com aceitar desafios e valorizar as coisas que possuem. Pra mim, isso é praticamente "todo mundo", porque não conheço nenhuma criança que não tenha pelo menos uma coleçãozinha -- de conchas, gibis e figurinhas a papéis de carta, moedas, selos e miniaturas de tudo. Meu filho teve coleção de carrinhos, de dinossauros e, a minha preferida, a dos nojentos: baratas, aranhas, insetos e coisas molengas e grudentas guardadas numa caixa especial. De longe, essa era a coleção mais interessante nas categorias originalidade e dificuldade (pra aumentar a coleção com novos ítens).
Posso estar enganada, mas acho que essas duas características, a originalidade e a dificuldade, são as mais importantes também nas coleções de gente grande. Claro que deve ter um estudo explicando por que alguns adultos continuam gostando dessa brincadeira, mas será que isso tem alguma importância? Sempre achei que as caixinhas de fósforo têm o poder de (re)acender a memória dos lugares de onde vieram (não são lindas essas caixinhas indianas?). E imagino quem guarda todos os ingressos de filmes, peças e shows como alguém que, de algum jeito, quer reingressar nas emoções de outros tempos. Mas tem quem colecione canetas, cartões postais, bonecas antigas e até pinguins de geladeiras, sem que isso tenha um significado. Só por gosto.
Eu não chego a ter uma coleção organizada mas, confesso, tenho um fraco por cadernos e bloquinhos. E você?

(Silvana Tavano)
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