16 de mar de 2009

Viajar

Uma das mágicas que a arquitetura faz é transformar o espaço. E, às vezes, isso acontece de um jeito encantador. Diferente de todas as cidades do interior em que já estive, a pequeníssima Águas de São Pedro, tão famosa pelas suas águas sulfurosas, não tinha uma praça, e acaba de ganhar uma. O que, antes, era uma ilha como tantas outras, nada mais do que o miolo da rotatória, virou um lugar de estar, ou melhor, um lugar onde a gente tem vontade de estar, como se vê nas fotos da querida Helô Mello.
Na praça recém-inaugurada tem tudo: árvores, fontes, pedras, música, pessoas passeando de um lado pro outro. Só que, em vez de banda e coreto, tem o músico que abre sua malinha e toca saxofone andando entre as pessoas. Tem luminárias modernas que acendem a noite sem ofuscar as estrelas. Não tem estátua, mas uma obra imponente da artista plástica Elisa Bracher (no fundo, à esquerda) e, no lugar dos banquinhos solitários, grandes bancadas de madeira que, à noite, são iluminadas por baixo com uma aconchegante luzinha amarela. Um convite pra bater papo com quem está por ali.
Quando anoitece, vejo o casal dançando de rosto colado na ponta de uma das pranchas que avança pelo espelho d´água. De repente, um garoto escala as pedras empilhadas tentando chegar ao topo da fonte mais alta. O barulhão das águas se mistura com o som do saxofone e as crianças (mas não só elas) se refrescam indo e vindo pela passarela ao lado das pedras, caminhando sobre uma nuvem de vapor -- brumas que pouco a pouco envolvem a praça inteira e transportam todo mundo que está lá para outros lugares.

(Silvana Tavano)
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