26 de mar de 2009

Bruxa Creuza na cabeça

Depois de nem sei quantas interrupções, finalmente consegui retomar uma longa história da bruxa Creuza -- uma aventura que começou no final de 2007. Será que a minha editora ainda vai se interessar? Vou saber logo mais. Estou no finalzinho da segunda história. Por conta dessa imersão, resolvi postar um trechinho de "Complexo de Cegonha".
Alguém aí já leu?

Praia não é programa de bruxo clássico. Esse tipo sempre prefere passar férias na Amazônia ou no Pantanal, lugares assim mais surpreendentes, com jacarés, cobras e aqueles barulhos e mistérios de floresta. E quem tem posses costuma ir mais longe. Na alta temporada é comum encontrar essa gente no interior da Inglaterra, da Alemanha ou da França, onde o que não falta é castelo antigo e badalado, cheio de fantasmas.
É bem verdade que essa não era a turma delas. Não mesmo. Zenaide e Creuza não frequentavam esses ambientes de bruxos e bruxas metidos a celebridade, querendo aparecer em revista. Elas tinham outros interesses, gostavam de ir ao cinema, faziam cursos de pintura, de história da arte, essas coisas. Viviam saçaricando juntas pra cima e pra baixo, íntimas mesmo. Amigas que se entendiam só pelo olhar.
Mas praia?
Praia lá é lugar de bruxa?
Ela bem que podia ter comprado uma casa nas montanhas. Não precisava ser grande nem nada. Uma cabana que fosse, encravada no meio de umas montanhas bem íngremes e assustadoras, com morcegos voando baixo, vento uivando, tudo muito mais adequado.
Ai, que vergonha!


(Silvana Tavano)
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