12 de nov de 2008

Ainda sobre os assobios...

Não afirmo porque não tenho certeza, mas desconfio que somos muitos -- nós, os "desassobiados", pra usar essa palavra tão apropriada que minha irmã inventou.
Fiquei pensando: será que a coisa se repete em outras famílias, tipo "de mãe pra filhos"? (May, Lucienne: digam vocês!). Porque nossa mãe não conseguia, mas lembro bem do meu pai, as bochechas brancas de espuma de barba inflando e desinflando no ritmo do assobio do dia... Quer dizer, eu, minha irmã e nossos filhos desassobiados reforçam a impressão de que isso deve mesmo ser uma herança materna, porque os pais dos meninos assobiam, e muito bem. Não estou me referindo só aos sonzinhos básicos que as pessoas fazem o tempo todo, sem nenhuma dificuldade ou cerimônia, no elevador, na fila do cinema, acompanhando a música do rádio... Sabe aqueles assobios ensurdecedores, que o taxista escuta mesmo quando todo mundo está buzinando? Do tipo abafa-aplauso em show de rock? Então, são assim os assobios do meu marido. E ele nem faz pra se exibir, é natural mesmo.

(Silvana Tavano)
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