8 de fev de 2008

Como vai acabar?

Vote no melhor final e, se quiser, dê outras sugestões para terminar o miniconto do Aguão.
Final 1
Tudo caminhava bem na vidinha do dragão. Nos últimos tempos, Aguão tinha crescido muito e estava ainda mais azul. Reluzente. É verdade que, às vezes, ele se sentia meio solitário e tal -- afinal, era o único dragão das redondezas. Mas não chegava a ficar triste por causa disso, porque logo lembrava de como tinha sido humilhado e destratado por seus pares.
Num dia igual a tantos outros, enquanto se prepara para dar uma chuveirada em alguma árvore ressequida, Aguão começa a sentir um calor anormal. Transpira e se abana, estranhando uma mudança de clima tão brusca -- qual seria o motivo daquela onda inesperada de ar quente? E quando se vira para se refrescar com uma auto-chuveirada, Aguão "vê" a resposta surgindo lá longe. Algo parecido com "dragões" -- sim, vários deles! -- movia-se lentamente em sua direção. Atônito e sem saber o que fazer, Aguão empalidece (melhor dizer: "arroxeia", que é um tom mais próximo do azul-pálido) e se pergunta se aquela comitiva estaria à sua procura. Resolve ficar ali mesmo, esperando, travado, agoniado e suado, até porque a temperatura continua a subir à medida em que a turma vai se aproximando... Finalmente, estão todos lá, bem na sua frente. Uns vinte dragões. Trinta, talvez, e chefiados por um grandão, que comandava a turma com claros sinais de fumaça. Antes mesmo de se apresentar, o tal grandão saúda Aguão e começa a explicar o motivo da expedição: a aldeia dos dragões estava correndo grande perigo por causa de uma criatura rebelde e desorientada -- um caso perdido, segundo o grandão -- que tinha resolvido botar pra queimar. O motivo? Ninguém sabia ao certo. Talvez o tipo quisesse apenas chamar a atenção. Mas a questão é que havia exagerado, provocando um incêndio de incríveis proporções. Agora, as chamas tinham se espalhado pela mata para desespero geral. Parecia tudo fora de controle quando Dona Labareda lamentou a ausência do filho e de seus (agora) tão necessários jatos d'água. Sim, Aguão. Ele mesmo. Ele era a única esperança de salvar a floresta! Aquela comitiva oficial estava ali pedindo, melhor dizendo, implorando que ele voltasse. O dragão fica confuso, mas visivelmente emocionado. Controla as lágrimas, mas não consegue impedir que sua pele azul assuma uma tonalidade fosforescente que só aparece em momentos de profunda felicidade. Nesse ponto, o texto pode descrever detalhadamente a emoção de Aguão, com flashbacks de seus piores e melhores momentos etc. No final, Aguão retorna e é recebido como salvador da pátria. Depois de dois dias e duas noites despejando água por toda a parte, o fogo cede e Aguão é aclamado como herói. Seus irmãos se desculpam pelos insultos, e pai, o esquentado senhor Flamejante, abre as asas para abraçar o filho renegado e, sob o olhar caloroso da mãe, Aguão topa voltar a viver na caverna da familia.
Final 2
A história segue idêntica até a momento em que Aguão fica confuso e emocionado com a proposta-súplica da turma. Sim, ele tem vontade de chorar, mas é de raiva. Aquele pessoal tinha que aparecer bem agora? Depois de ter passado tanto tempo chateado, sem prumo nem rumo, o dragão havia finalmente se ajeitado: estava empregado e ganhando pra lá de bem como molhador de tobogã no novo parque aquático. Estava fazendo o maior sucesso e inclusive havia sido convidado para ensinar detalhes da sua técnica (controle de ritmo, intensidade e temperatura de jatos d´agua) num curso de imersão para principiantes. Aguão explica a situação, diz que não se trata de vingança, nada disso, mas, enfim, não pode largar o emprego assim de uma hora para outra. Arrisca dizer que, talvez, fosse o caso da aldeia toda se transferir pra outro canto. Ou simplesmente esperar, cada qual em sua caverna, que o fogo cessasse naturalmente. Antes de encerrar o encontro, Aguão diz para o grandão da turma que não guarda mágoas e ainda manda beijos para a família.
Final 3
No ponto em que a história foi interrompida, caberia, talvez, um final tipo patinho- feio-que-vira-cisne -- no caso, "o dragão azulado que gosta de água poderia descobrir que é um ancestral dos golfinhos" ou de qualquer outra turma, onde seria aceito, reconhecido e blablablá. Mas, além de forçado, esse final não seria nada original. Nesta terceira versão, Aguão continua sendo diferente, mas é, sem dúvida, um dragão. Apesar disso, não é solitário nem se sente rejeitado. Pelo contrário, é querido por todos e obtém enorme sucesso na carreira que abraçou, seguindo a vocação nata: como bombeiro, Aguão é chamado a todo instante para combater pequenos e grandes incêndios e vira um herói da floresta, uma verdadeira lenda.

(ST)

7 comentários:

Lili disse...

Querida,

O meu final preferido é o primeiro sem dúvida!! Dragão que é dragão, mesmo com uma porção líquida a mais nao deixaria a floresta queimar, só por que arrumou emprego. Aliás, dragão que é dragão e Aguão em os genes da espécie não se deixaria aprisionara pela gaiola baixa com crachá e tudo. Nao levaria isso mais a sério que a floresta.
Mas, no primeiro final eu faria uma intervençao, se me permite, claro: acho que a família convida o Aguão para voltar para a caverna, mas ele não, pois agora já conquistou novas fronteiras mais além, send exatamente quem é.
Como boa criatura mítica responsável pelas passagens, ele fica de bem com a família, volta para suas origens sempre que dá saudade ou que é preciso apagar um incêndio, mas nao abre mão de sua independência. Ele também proporciona aos pais, irmãos e tios visitas à sua nova vida, assim todos ampliam as fronteiras e aprendem a conviver e respeitar as diferenças. Um bufinho úmido procê. Lili

Silvana Tavano disse...

Lili, adorei! O final do primeiro final ficou ótimo com a alteração que você sugere. Acho que vou votar nesse: seria o final 1A. certo?
beijos calorosos, Silvana

Anônimo disse...

Adorei a figura de um dragão bombeiro. Escolho o final 3.
Bjs.

Anônimo disse...

esqueci de assinar meu comentário acima...
Bjs,
Pipa

Anônimo disse...

Oi Sil

Eu acho que o melhor final é o primeiro... mas o 3 também é muito bom!


Abraço

Lucca

Anônimo disse...

Silvana,

voto no final 1. Mas, também concordo com o comentário da Lili. O Aguão ajuda sua família e os outros dragões, mas segue sua vida longe de todos. Encontra uma dragoa muito esquentada que vive soltando fogo... Surge assim uma nova comunidade de dragões de variadas temperaturas, cores e chamas. Até que surge um dragãozinho que faz gelo e então...
um beijo, Carla

Anônimo disse...

QUEIMEM, queridos, queimem (e abraços pra família). A vingança (2) pode ser tentadora, às vezes.Mas a generosidade,que nada tem a ver com perdão ou esquecimento, dá frutos mais doces. Resistindo à tentação, voto no 3...
beijão
May