12 de fev de 2008

Minientrevista da semana

Tem gente que sabe desenhar com as palavras, e tem quem consiga contar histórias com as imagens. No recém-lançado "Poemas para Assombrar", editado pela Larousse Júnior, a escritora Carla Caruso também assina as ilustrações -- ou seria melhor dizer que a ilustradora criou os poemas?
Formada em Letras pela PUC, Carla já trabalhou como jornalista e escreveu muitas biografias dirigidas para crianças, recriando a vida de personagens como Aleijadinho, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Cecília Meireles, Oswald de Andrade e Burle Marx, entre outros. Mas quando sai do mundo real e mergulha na ficção, Carla quase sempre passeia pelas duas linguagens -- a do texto e a da ilustração: foi assim com os livros da coleção “Bicho-de-Livro”, que já estão no mercado há 10 anos, e também com "Bichos da praia”, lançado em 2004. Com os seres imaginários do novo livro, Carla experimentou a técnica da colagem e aprimorou o diálogo entre texto e imagem, num exercício que reflete o seu próprio processo de criação.
Dizem que o fantasma era um anjo
frio e sem razão.
Mas, na púrpura luz daquela casa,
achou sua morada
no calor de um coração.

Como nascem as suas histórias -- a escritora imagina e conta para a ilustradora ou os desenhos surgem antes e inspiram o texto?
Acho que o processo é mais ou menos assim: a partir de um tema, surge a idéia do livro, e logo começo a desenhar. Em geral, são livros de poesia, mas os poemas são escritos depois que finalizo todas as ilustrações. No texto, além do trabalho poético, busco interagir, ampliar e criar novos sentidos para as ilustrações.
Além de ficção, você escreveu várias biografias para o público infantil -- é difícil fazer com que a criança se envolva com esse tipo de texto?
A biografia é um texto informativo, mas também existe um aspecto ficcional, já que os acontecimentos da vida dessa personalidade são escolhidos e recontados pelo autor. No livro "A Infância de Tarsila", por exemplo, havia muito material sobre essa fase da vida da artista, que cresceu em uma fazenda no interior de São Paulo. Sua convivência com 40 gatinhos, as brincadeiras na mata e as histórias que a menina ouvia abriram possibilidades muito interessantes para a construção de uma narrativa direcionada às crianças. Já não foi tão simples no caso da biografia do Aleijadinho. Além de não contar com nenhum registro sobre a sua infância, foi difícil encontrar informações sobre o cotidiano das crianças no Brasil daquela época. Nesse livro, o texto se apoia no contexto histórico, narrando a busca de ouro e pedras preciosas, descrevendo as festas, a cultura negra, a arte e os conflitos da sociedade em que o artista viveu.
(ST)
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