na ampulheta deitada
paira um tempo suspenso
entre grãos de areia
27 de fev. de 2013
25 de fev. de 2013
22 de fev. de 2013
Briga
Nuvens ranzinzas, vento furioso, gritos de trovão
O céu fecha a cara, relampragueja raios
E a chuva chora sem parar com tanta confusão
O céu fecha a cara, relampragueja raios
E a chuva chora sem parar com tanta confusão
21 de fev. de 2013
Agenda
Saí de casa cedinho pra voar por aí (antes da chuva) com "A Senhora Meier e o Melro", de Wolf Erlbruch.
18 de fev. de 2013
Duas semanas depois...
Apesar de continuar muito rabugenta, fazendo questão de mostrar o quanto está magoada comigo, Miúda Felina já suporta a presença do alegre Joaquim.
Aparentemente, ela se conformou com a ideia de que ele veio pra ficar.
Conto com o tempo (e com a simpatia do Joaquim) pra que isso vire uma grande amiuzade.
Aparentemente, ela se conformou com a ideia de que ele veio pra ficar.
Conto com o tempo (e com a simpatia do Joaquim) pra que isso vire uma grande amiuzade.
14 de fev. de 2013
Memória
Olho pra mim numa paisagem que não reconheço, e me ver sorrindo na foto só aumenta a sensação de estranhamento. Mas a imagem confirma: aquele lugar existiu e aquela menina era eu. Então, apesar de não lembrar, acredito que esse dia aconteceu. Ao mesmo tempo, tantas vezes duvido de certas lembranças, e me pego olhando para o passado como se fosse um sonho que a memória inventou.
11 de fev. de 2013
Infância
O enredo da brincadeira era simples: a turma se reunia no pátio do prédio pro ensaio geral, formava duplas ou trios e depois, todos juntos, atravessávamos a avenida da praia de José Menino, em Santos, devidamente equipados com bisnagas coloridas, sacos de confete, muitos rolos de serpentina e um bom estoque de martelinhos de plástico. Organizados em alas, os grupos se posicionavam em pontos estratégicos ao longo da calçada, a postos pra dar banho de água e alegria em quem passasse. Os que não entravam no espírito da folia, levavam martelada e tinham que sair correndo debaixo de vaia. A certa altura, mães e pais começavam a aparecer, chamando pra jantar e, mais ou menos contrariados, íamos todos pra casa, com a promessa de um novo encontro logo cedo, na praia. Lembro de adormecer ouvindo os ruídos que seguiam chacoalhando a cidade noite adentro, com o carnaval grudado no meu corpo em forma de confete.
4 de fev. de 2013
Joaquim
Confesso que minha paixão por gatos só aumenta com o passar do tempo -- e lá se vão 13 anos convivendo com a Miúda Felina aqui em casa. Também é verdade que nos últimos meses ando muito ligada nos felinos por conta do livro em que venho trabalhando. Mas juro que não estava pensando em adotar outro bichano. Foi assim: fui buscar uma encomenda e topei com o Joaquim, um dos trocentos gatinhos que a dona da loja estava doando. A gente se olhou uma vez, e mais outra, e na terceira o pequeno soltou um oi-miau todo dengoso. No dia seguinte, sem pensar duas vezes, voltei lá e trouxe Joaquim pra casa, já com um enxoval completo --ração especial pra filhotes e brinquedos, mais um banheiro e pratinhos exclusivos, justamente pra não estressar demais a Miúda. Como eu imaginava, não adiantou nada. Transtornada com a novidade, a gata mostrou os dentes, arqueou as costas e emitindo uns sons assustadores que eu nunca tinha ouvido, se enfiou debaixo da minha cama, em claro sinal de indignação.
1 de fev. de 2013
Sorte
Sei que muita gente conta comigo, e eu fico feliz quando dá pra contribuir. Mas, sabe como é, meu melhor amigo é o Acaso e ele me influencia demais. Às vezes planejo uma coisa, só que acabo fazendo outra porque ele aparece com alguma novidade e pronto: me distraio. Acontece que não resisto aos convites dele, mesmo quando a gente não faz nada de especial. No fundo, no fundo, somos muito parecidos. Também gosto de ficar por aí, circulando sem compromisso. Engraçado é que nesse pralapracá cruzo muitas vezes com certas pessoas. Tem uns que topam comigo o tempo todo, eu mesmo me surpreendo! Sei lá, de vez em quando desconfio que esses encontros e desencontros são obra do Acaso. Ele se faz de desentendido, mas, será que não sabe direitinho pra onde está me empurrando?
Sendo 100% sincero, pra mim, tanto faz. Afinal, todo mundo sempre me recebe de braços abertos, não tem quem não goste de cruzar comigo. Bom, sendo 101% sincero... Depende. É que vira e mexe o Acaso resolve aprontar e me lança pelos ares, só de farra. Daí a coisa pode complicar: dia desses, caí com tudo em cima de um gato. Pois é, o rato não gostou nadinha de me ver.
Sendo 100% sincero, pra mim, tanto faz. Afinal, todo mundo sempre me recebe de braços abertos, não tem quem não goste de cruzar comigo. Bom, sendo 101% sincero... Depende. É que vira e mexe o Acaso resolve aprontar e me lança pelos ares, só de farra. Daí a coisa pode complicar: dia desses, caí com tudo em cima de um gato. Pois é, o rato não gostou nadinha de me ver.
29 de jan. de 2013
26 de jan. de 2013
De volta
(...)
Sentei-me perto, muito perto da avó Agnette.
Ficamos a olhar o verde do jardim, as gotas a evaporarem, as lesmas a prepararem os corpos para novas caminhadas. O recomeçar das coisas.
-- Não sei onde é que as lesmas sempre vão, avó.
-- Vão pra casa, filho.
-- Tantas vezes de um lado para o outro?
-- Uma casa está em muitos lugares -- ela respirou devagar, me abraçou. -- É uma coisa que se encontra.
(...)
Trecho do livro "Os da Minha Rua", de Ondjaki, um dos lugares maravilhosos que visitei nas férias.
Sentei-me perto, muito perto da avó Agnette.
Ficamos a olhar o verde do jardim, as gotas a evaporarem, as lesmas a prepararem os corpos para novas caminhadas. O recomeçar das coisas.
-- Não sei onde é que as lesmas sempre vão, avó.
-- Vão pra casa, filho.
-- Tantas vezes de um lado para o outro?
-- Uma casa está em muitos lugares -- ela respirou devagar, me abraçou. -- É uma coisa que se encontra.
(...)
Trecho do livro "Os da Minha Rua", de Ondjaki, um dos lugares maravilhosos que visitei nas férias.
17 de jan. de 2013
Férias
No mar
Mergulho nas ondas
Mergulho nas ondas
Desmancho feito espuma
Tiro os pés da areia
Imagino sereias
No mar
Fecho os olhos e flutuo
Sinto o ar salgado e puro
Abraço a água e me misturo
No mar
...
A ilustração é da Maria Eugenia, e eu volto no dia 28. Até lá!
Tiro os pés da areia
Imagino sereias
No mar
Fecho os olhos e flutuo
Sinto o ar salgado e puro
Abraço a água e me misturo
No mar
...
A ilustração é da Maria Eugenia, e eu volto no dia 28. Até lá!
15 de jan. de 2013
Lições de Rodari
Eu já era fã das histórias do escritor, e agora ando encantada com as ideias do educador Gianni Rodari, reunidas no seu "A Gramática da Fantasia", um livro recheado de propostas de atividades, exercícios criativos e lições pautadas pela imaginação. No trecho em que explica como uma palavra escolhida ao acaso pode fazer a mágica de "escavar campos da memória que descansavam sob a poeira do tempo", Rodari faz menção a Proust e o passado que volta com o sabor da "madeleine" para mostrar que o jogo da memória também consegue despertar a criatividade das crianças: "(...) Qualquer palavra pode ajudá-las a recordar 'aquela vez que...', a se descobrir em meio ao passar do tempo, a medir a distância entre o hoje e o ontem, não obstante para elas, os 'ontem' sejam afortunadamente pouco numerosos".
Leitura deliciosa pra quem gosta de inventar histórias com -- e como -- as crianças.
Leitura deliciosa pra quem gosta de inventar histórias com -- e como -- as crianças.
8 de jan. de 2013
Especiais
O pessoal da Callis me convidou pra participar do "projeto férias", indicando quatro sugestões de leitura que serão publicadas na página da editora no facebook. Partilho também aqui minhas escolhas:
“Não é Fácil, Pequeno Esquilo”, e também não é nada fácil falar sobre morte com os pequenos, mas o texto de Elisa Ramon e as ilustrações de Rosa Osuna cumprem a missão lindamente, contando a tristeza do esquilinho que perde sua mãe, e levando o leitor a entender sentimentos como angústia, dor, superação e saudade. Bonito e emocionante!
“Mancha, a Menina Maldesenhada” é a história deliciosamente bem desenhada por Maria Eugenia, e protagonizada por Mancha, uma menina diferente da maioria: ela não reclama do nariz, do cabelo, de nada, e mostra como dá pra gente se gostar e se aceitar mesmo quando nem tudo é perfeito. Mancha não está nem aí. Delícia!
“Papai e Eu, Às Vezes" não precisa de muitas palavras pra dizer o que acontece (e o que não acontece) entre uma menina e seu pai, uma relação onde “às vezes” cabe o silêncio e a ausência; “às vezes”, o afeto e o encontro. A delicadeza dessa relação transparece com muita sensibilidade nas imagens criadas pela argentina Maria Wernicke.
“O voo da arara-azul”, de Maria José Silveira, com ilustrações de Maria Valentina, é uma novela juvenil que encanta leitores de todas as idades, conduzindo a gente pela história recente do país – os anos de chumbo da ditadura militar – através das experiências e descobertas do adolescente André.
“Não é Fácil, Pequeno Esquilo”, e também não é nada fácil falar sobre morte com os pequenos, mas o texto de Elisa Ramon e as ilustrações de Rosa Osuna cumprem a missão lindamente, contando a tristeza do esquilinho que perde sua mãe, e levando o leitor a entender sentimentos como angústia, dor, superação e saudade. Bonito e emocionante!
“Mancha, a Menina Maldesenhada” é a história deliciosamente bem desenhada por Maria Eugenia, e protagonizada por Mancha, uma menina diferente da maioria: ela não reclama do nariz, do cabelo, de nada, e mostra como dá pra gente se gostar e se aceitar mesmo quando nem tudo é perfeito. Mancha não está nem aí. Delícia!
“Papai e Eu, Às Vezes" não precisa de muitas palavras pra dizer o que acontece (e o que não acontece) entre uma menina e seu pai, uma relação onde “às vezes” cabe o silêncio e a ausência; “às vezes”, o afeto e o encontro. A delicadeza dessa relação transparece com muita sensibilidade nas imagens criadas pela argentina Maria Wernicke.
“O voo da arara-azul”, de Maria José Silveira, com ilustrações de Maria Valentina, é uma novela juvenil que encanta leitores de todas as idades, conduzindo a gente pela história recente do país – os anos de chumbo da ditadura militar – através das experiências e descobertas do adolescente André.
7 de jan. de 2013
Janeiro
Tempo bom no céu
Tempo livre na agenda
Tempo pra ficar ao léu
Dá pra fazer tudo e nada
Tempo livre na agenda
Tempo pra ficar ao léu
Dá pra fazer tudo e nada
Inventar qualquer brincadeira
Todo dia tem jeitão de domingo
Até a segunda-feira!
Bem que a gente podia viver o ano inteiro
Nesse tempo mais lento
Todo dia tem jeitão de domingo
Até a segunda-feira!
Bem que a gente podia viver o ano inteiro
Nesse tempo mais lento
E quente e cheio de tempo
De janeiro
29 de dez. de 2012
26 de dez. de 2012
Verão
O dia tem preguiça de ir embora
E a noite perde a hora
De escurecer
Quase esquece de ser noite
E arde sob o sol invisível
Inquieta, impedida
De adormecer
21 de dez. de 2012
Esperança
É aquela caixinha de fósforos que a gente guarda sempre na mesma gaveta pra poder acender uma vela quando a luz acaba de repente.
...
A todos os leitores do blog, um 2013 iluminado com gás de inspiração, eletricidade de alegria e muitas caixinhas de fósforo por perto.
...
A todos os leitores do blog, um 2013 iluminado com gás de inspiração, eletricidade de alegria e muitas caixinhas de fósforo por perto.
18 de dez. de 2012
É ele!
Uma noite
Quase vi
Papai Noel
Numa nuvem-trenó
Desmanchando no céu
...
A imagem saiu de um livro antigo que ganhei da querida Claudia Berkhout: "Father Christmas", de Raymond Briggs, conta uma história de Natal que minha amiga lia pra filha há tanto tempo atrás e que combina tão bem como esse textinho, publicado aqui.
Quase vi
Papai Noel
Numa nuvem-trenó
Desmanchando no céu
...
A imagem saiu de um livro antigo que ganhei da querida Claudia Berkhout: "Father Christmas", de Raymond Briggs, conta uma história de Natal que minha amiga lia pra filha há tanto tempo atrás e que combina tão bem como esse textinho, publicado aqui.
15 de dez. de 2012
Alegria é...
... abrir o Estadinho logo cedo e descobrir o "Psssssssssssssiu!" na lista dos 50 melhores livros do ano!
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