12 de abr de 2012

Agá e suas chateações

Eu devia ter lido meu horóscopo antes de aceitar o convite pra vir aqui. Essa história está mexendo com o meu humor! Não é de hoje que me sinto humilhado – é horrível não ter voz! Estou no hálito, mas não tenho cheiro, percebe? 
Acontece que as vogais me ignoram, e não há nada que eu possa fazer. Por isso, não tenho gosto no hambúrguer nem na hortelã; anuncio o horizonte que qualquer um pode ver, mas ninguém me ouve! Sou sempre o primeiro a entrar no harém, só que passo despercebido mesmo assim. Não solto nem um gemidinho mesmo quando levanto halteres de trocentos quilos. Haja paciência! 
Só eu sei o quanto sofro na companhia dessa quadrilha – é isso mesmo: qua-dri-lha! – composta pelos “colegas” A, E, I, O, U. Mesmo assim, convivo com o A em harmonia; sou heroico na frente do E; obedeço à hierarquia imposta pelo I; mantenho a honestidade e a humildade diante do O e do U. 
É difícil ser uma letra-espelho, mas, apesar de tudo, me sinto honrado desempenhando minha função e brilho quando me vejo por escrito! Pena é ter que suportar aquela perguntinha habitual, sempre em tom de hesitação: “Será que é com Agá?”. Hoje, sim; ontem, não!
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(Trecho do desabafo do Agá pra comemorar o lançamento do "Zum-zum-zum das Letras") 
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