13 de mai de 2008

Quem te ensinou a gostar?

Na entrevista que deu ao El Pais, publicada na Folha do último domingo, o escritor italiano Umberto Eco conta que foi a avó materna quem o iniciou na literatura:

"Era uma mulher sem cultura, mas tinha paixão pela leitura... Ela era cadastrada numa biblioteca, de modo que trazia um montão de livros para casa. Lia de forma desordenada. Um dia podia ler Balzac e, logo depois, um romance de quatro vinténs....Assim fez comigo: ela me dava, aos 12 anos de idade, um romance de Balzac e uma história de amor de qualidade ínfima. Mas me transmitiu o gosto pela leitura".

Eu costumava ficar sem graça quando alguém perguntava sobre os livros da minha infância. Diferente da maioria dos escritores, não cresci ouvindo histórias nem vivi cercada por livros. Meus pais não tinham o hábito da leitura. Fui descobrir os livros de Lobato na estante de um primo, e os meus primeiros livros vieram através de uma amiga do meu pai. Dona Nelly era uma polonesa alta e bonita. Ela tinha um sotaque forte, fumava muito e morava na rua Bento Freitas, num predinho esverdeado que ficava em cima de uma livraria. O prédio talvez ainda esteja lá, mas a Duas Cidades fechou há muitos anos. Lembro que visitar dona Nelly era um grande programa, sempre saía de lá com um livro novo, que certamente devia ser bom e indicado pra minha idade. De resto, minhas leituras nem sempre eram as mais adequadas -- eu lia tudo o que aparecia: gibis, revistas, almanaques e livros de todo tipo. Dos 7 aos, talvez, 13 anos, devorei ótimos textos e muita subliteratura, mas o saldo desse mix foi positivo. Virei uma leitora voraz, curiosa e (quase) sem preconceitos.

E com vocês, como começou essa paixão?

(Silvana Tavano)
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