8 de mai de 2008

Laura, Ulla, Otília e companhia

“Se você conhece alguma história de galinha, quero saber. Ou invente uma bem boazinha e me conte”.
O recado da escritora Clarice Lispector está no finalzinho do encantador "A Vida Íntima de Laura", livro que o escritor Caio Fernando Abreu considerava "a melhor história sobre galinhas" que ele conhecia. Clarice dispensa comentários -- a trajetória de Laura é pura epifania. Mas confesso que me apaixonei por Ulla, Gabi, as Marias (Rosa, Rita e Ruth), Otília, Juçara e Blondie, as simpaticíssimas galinhas, quer dizer, "As Frangas" (Globo), de Caio Fernando Abreu. Anos atrás, durante algum tempo, esse livro era "o" presente que meu filho levava para todos os amigos e amigas nos aniversários. Até que, um dia, eu e ele percebemos que tinha gente ganhando o livro pela segunda vez.
Semana passada, no meio de um cafezinho com as amigas-escritoras Carla Caruso e May Shuravel, as frangas apareceram na conversa -- lá fui eu reler e, de novo, me apaixonar pelo texto de Caio:
"... Tenho que explicar que gosto muito mais de chamar galinha de franga do que de galinha. Por quê? Olha, pra dizer a verdade, nem sei direito. Quando olho para uma galinha, acho ela muito mais com cara de franga. Acho mais engraçado. Ou só acho que acho, nem sei. Faz tanto tempo que digo franga que agora já acostumei..."

O livro é de 1988, é o único texto de CFA dedicado ao público infantil e foi considerado Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. Na minha opinião, "As Frangas" é altamente recomendável pra todo mundo.

(Silvana Tavano)
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