12 de mai. de 2013

Mãe

O tempo passa pela gente
Igual e diferente

Diminui a dor
Feito unguento

Aumenta a saudade
Feito fermento

3 de mai. de 2013

Problema

Das equações que não consigo resolver: arrumo a mala em dois tempos, não sou cheia de nove horas. O x da minha questão fica entre o oito e o oitenta, e a conta nunca fecha. Levo roupa de menos ou, pior, carrego o diabo a quatro mesmo quando a viagem é rapidinha, dessas que a gente vai e volta em três palitos. Resultado: nota zero pra mim.

30 de abr. de 2013

Dicionário imaginário

Nuvem (s.f.) 1. tipo de travesseiro levíssimo, forrado com plumas de anjos, em vários tamanhos e formatos, ideal para ser usado durante o dia, proporcionando breves porém profundos momentos de repouso e relaxamento; 2. medicamento administrado por via visual, com uso liberado em altas doses e sem limitação de tempo, de efeito calmante notável no dia a dia, sem contraindicações, proporcionando alívio imediato em situações de crise através da associação de dois princípios ativos extraídos da natureza: passa-tudum (ação tranquilizante advinda da percepção de que tudo é passageiro); e cabrum-pluft (ação antiestresse, reavivando a lembrança de que todas as tempestades desmancham).

28 de abr. de 2013

Domingo

Prefiro os contos de Grimm às manchetes de jornais.

(Wisława Szymborska em “Poemas”, tradução de Regina Prazybycien, Companhia das Letras).
...
Cris, adorei o presente!

26 de abr. de 2013

Ein Vergnügen*

Selecionado pela Fundação Biblioteca Nacional dentro do programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros, o "Como Começa" vai circular na próxima feira de Frankfurt com tradução assinada por Dagmar Witt.

(*) em português: "que delícia!", com tradução também assinada pela minha querida Claudia Abeling!

17 de abr. de 2013

Esse seu olhar...

Sobre o post de ontem: taí a prova de que Laura Tronconi acertou na mosca. Ou melhor, no pernilongo. Só mesmo alguém com menos de dez anos ou com a tal da "mente bambina" pra não resistir a esse simpático personagem que a ilustradora Suppa transformou em brinquedo. Fisguei meu pernilongo na Casa de Livros, mas ele e toda a Turma do Nariz estão à venda na lojinha virtual dela. Vai !

16 de abr. de 2013

Grazie!

O "Como Começa" ganhou uma resenha caprichadíssima no blog Come Marcovaldo (nome que homenageia o personagem de Italo Calvino), da tradutora e jornalista italiana Laura Tronconi. Fiquei toda pimpona com os elogios ao livro, mas um deles me deixou especialmente feliz: "Fantastico, solo una 'mente bambina' potrebbe partorire questa riflessione". Tem melhor?

15 de abr. de 2013

Antonio

Depois de chamar três vezes, a Ciça entrou no quarto e encontrou o pequeno no maior silêncio, olho grudado no livro, com essa mãozinha que encaixou sem querer na ilustração da capa pra dar a melhor resposta: "Psssssssssssssiu, mãe! Agora não dá pra falar porque eu tô lendo!" Delícia.

14 de abr. de 2013

Endominguei

Depois de uma semana cheia de pra-lás-e-pra-cás, passei o dia feito o bicho-preguiça da Carla Caruso: na maior tranquilidade, fazendo nada, e beeeeem devagar.

9 de abr. de 2013

Quase dois meses depois...

Miúda Felina e o já não tão pequeno Joaquim convivem quase em harmonia: é verdade que, de vez em quando, os dois ainda se estranham e o mau gênio da gata explode em mordidas e patadas impiedosas. Bom é que o viragato não se intimida nem guarda rancor, e isso deve estar mexendo com o instinto maternal da velha felina ou ela não se daria ao trabalho de cuidar do banho dele, quando passa um tempão literalmente lambendo a cria.

4 de abr. de 2013

O lugar das coisas

Tudo no lugar certo na hora da foto: eu, as professoras e os pequenos do Colégio Pentágono.
E tudo no lugar certo na hora da farra: os pequenos e eu, lá atrás, praticamente rolando no chão. Delícia!

1 de abr. de 2013

1º de abril

Sinto saudade da minha mãe todos os dias. Hoje não é mais aquela saudade dolorida, porque o tempo tem esse poder meio mágico de decantar as coisas: é como se a dor fosse calando até ficar quietinha, acomodada no fundo do coração. É só não remexer muito e ela apenas vai ficando por lá, sem se misturar com outras lembranças. Bom é que recordar já não dói e cenas gostosas se tornam cada vez mais cristalinas. É como se a falta virasse presença e, de alguma forma, ela sempre estivesse por perto.
Mas a saudade também vive no tempo do calendário, e não esquece de fazer visita especial nos aniversários, nas datas disso e daquilo, e no dia 1º de abril. Minha mãe começava a pensar na peça que ia pregar na gente uma semana antes e logo cedinho ligava pra contar a "novidade". Era sempre uma bobagem, um boato, uma mentirinha qualquer, mas toda vez eu caía na conversa e depois ficava me sentindo a mais boboca das bobocas quando ela vinha com a história do "1º de abril". E tinha um trote diferente pra minha irmã, outros para os netos; nesse dia, ela parecia mais criança do que todos eles juntos.
...
Lembrei deste texto, publicado aqui em 2010, porque, hoje cedo, a minha saudade acordou com a locutora da rádio CBN "brincando" com o dia da mentira. Por um instante, quase ouvi a voz da minha mãe mandando notícias pelo rádio.

29 de mar. de 2013

Céu

A mãe chama uma vez, e de novo, e lá do caixa avisa que não vai comprar mais nenhum ovo. Mas o pequeno continua parado no meio do corredor, olhos gulosamente grudados nas estrelas de chocolate, brilhando no céu do supermercado.

26 de mar. de 2013

Simples assim


-- E a alegria, como começa?
-- Hmm... A minha alegria começa e pronto. Não precisa de motivo!

Hoje, com os pequenos do Colégio Elvira Brandão, compartilhando conversas deliciosas como essa.

25 de mar. de 2013

Shhh!

Shhh!
Quiet down!
Silence is almost asleep...

No way!
He is only thinking.

How do you know?
I bet he is sleepy!

Just because he closed his eyes?
You don’t understand anything….
Really?
Then tell me: what is he thinking?
...

"Psssssssssssssiu!", traduzido por Jay Silva, no número 3 da revista Machado de Assis, dedicado à literatura para crianças e jovens.

19 de mar. de 2013

Mudança (3)

Preencher a planilha exigida pelo seguro: inventário residencial. Conto dezenas de caixas empilhadas, uma geladeira vazia e dois gatos encolhidos debaixo da cama.

16 de mar. de 2013

Mudança (2)

Abrir o armário, deixar pra trás o vestido fora de moda, a blusa que não serve mais e tantos cabides desnecessários, pendurando lembranças que só ocupam espaço.
Levar apenas o que, hoje, me veste bem. Mesmo que seja pouco.

11 de mar. de 2013

Mudança

Embalar as louças e cobrir os móveis. Encaixotar os livros. Guardar fotos e lembranças. Comprar torneiras novas, derrubar paredes, decidir entre o branco e o amarelo. Depois, passar um tempo num lugar provisório, experimentando todos os dias a sensação de que nada é permanente, com uma mistura de medo e euforia. No final, voltar para a velha casa nova, onde tudo é familiar mas diferente -- eu, o sofá e a luz entrando por uma janela que não existia.