Depois de quase dois dias de apagão o blog voltou a funcionar, mas o post de ontem sobre "Livros e Bolos" sumiu. Como hoje é sexta-feira, 13, talvez ele reapareça de repente (?). De todo modo, não deletei a ideia, então segue um replay pra quem não leu:
...
No post desaparecido, eu contava sobre a minha pilha de livros do criado-mudo que não diminui nunca, e de como é difícil dar conta de tudo o que gostaria de ler. Contava também que, apesar disso, vira e mexe acabo relendo livros que já estão na estante há muito tempo, às vezes até sem querer. Foi exatamente o que aconteceu com "Água Viva", de Clarice Lispector -- dias atrás, enquanto procurava um trecho que queria usar no meio de um texto, acabei lendo outro e mais outro até finalmente reler o livro todo.
Foi essa leitura que me fez pensar que livros são como bolos: tem os que a gente experimenta e não gosta, nem chega a comer um pedaço inteiro; os que saboreamos devagar, um pouquinho por dia; e também aqueles que simplesmente devoramos de uma vez só. Mais que isso, certos livros são como um bolo de fubá saindo do forno e prová-los nessa hora é delicioso. Sentimos um prazer imenso na hora, mas isso nem sempre se repete comendo o mesmo bolo em outro momento.
Mas existem os bolos especiais, como o de Clarice. Com tantas camadas e recheios diferentes, esses mantêm um gosto de "primeira vez". Nesse caso, reler não é apenas relembrar, mas descobrir sabores que continuam surpreendendo o paladar a cada bocado.
(ST)
13 de mai. de 2011
11 de mai. de 2011
Reviravento
Todas as coisas se movem
Quando o vento vem cutucar
Por fora e por dentro
Tudo pode mudar de lugar
Quando o vento vem cutucar
Por fora e por dentro
Tudo pode mudar de lugar
O livro deve sair ainda este ano pela Callis, ilustrado pela Rosinha.
10 de mai. de 2011
Sempre no ar
A jornada da Creuza pelo espaço chega ao fim com o 8º capítulo de "Uma Bruxa em Órbita". Depois de aprontar na Lua e em Marte ela volta pra casa , mas o relato dessas aventuras fica na estante do site Brincando na Rede.
(ST)
(ST)
9 de mai. de 2011
6 de mai. de 2011
Faxina
Mágoa não é coisa boa de se guardar. É como se fosse um vestido fora de moda que acaba ficando pendurado no cabide --só serve pra ocupar espaço dentro do armário e espalhar um cheiro de mofo no coração da gente.
(ST)
5 de mai. de 2011
Avós
A mãe da minha da mãe falava com os olhos e acho que por isso o carinho ficou sendo azul pra sempre.
A mãe do meu pai falava num dialeto que eu não conseguia entender e acho que por isso aprendi a ler sorrisos.
As palavras se dizem de muitos jeitos.
As palavras se dizem de muitos jeitos.
(ST)
3 de mai. de 2011
Muitas casas
Dia desses a querida May Shuravel perguntou porque eu não lincava o blog à minha página do facebook. Durante um tempo até fiz isso, mas logo comecei a achar que nem tudo o que escrevo aqui faz sentido lá. Então compartilho somente alguns posts, os que, de alguma forma, ficam à vontade fora de casa e conversam numa boa com todo mundo que aparece por lá. O blog também é uma sala aberta, ninguém precisa de convite pra ir entrando. A diferença é que, aqui, as visitas geralmente sabem o que vão encontrar. Quem entra pra xeretar e não curte o ambiente, vai embora logo, sem tomar cafezinho. E quem gosta do assunto, anota o endereço e volta sempre, ou dá uma passada de vez em quando. Acontece que, muitas vezes, esses visitantes levam os posts pra passear por outros lugares -- salas de aula, blogs e, ultimamente, também pelo twitter e nas páginas do facebook.
Ainda não me convenci de que os temas do blog podem frequentar o meu mural do facebook sem cerimônia. Mas cada vez que encontro alguma coisa que escrevi aqui numa sala inesperada, descubro o óbvio: sempre é o leitor quem dá sentido e coloca as palavras em sua própria casa.
(ST)
Ainda não me convenci de que os temas do blog podem frequentar o meu mural do facebook sem cerimônia. Mas cada vez que encontro alguma coisa que escrevi aqui numa sala inesperada, descubro o óbvio: sempre é o leitor quem dá sentido e coloca as palavras em sua própria casa.
(ST)
2 de mai. de 2011
Balão mágico
Viajei nas imagens que o fotógrafo francês Laurent Laveder inventou com a lua.
Pra chegar lá, é só clicar aqui.
(ST)
Pra chegar lá, é só clicar aqui.
(ST)
1 de mai. de 2011
29 de abr. de 2011
A turma
Hoje cedo a conversa estava tão animada que precisei fechar a janela pra poder trabalhar. Mas confesso que fiquei olhando um tempão com certa inveja: tem coisa melhor do que encontrar as amigas pra colocar o papo em dia comendo umas gostosuras? As maritacas sabem das coisas.
(ST)
(ST)
28 de abr. de 2011
No CEU (2)
Sentei no meio da roda e todo mundo foi se ajeitando pra ouvir a história do "Faz de Conta Que é Verdade". Nesse canto gostoso da biblioteca do CEU Capão Redondo, apareceu dinossauro, barata, homem-aranha e outros bichos, com meninos estirados na praia e meninas sonhando com princesas.
(ST)
(ST)
27 de abr. de 2011
No CEU
Mas, no meio da conversa, o professor de teatro João Júnior, que integra o PIÁ -- Programa de Iniciação Artística -- me pediu "O Lugar das Coisas" pra dar uma olhada e saiu da sala. Uns dez minutos, essa turminha aí embaixo aparece com o livro na mão, pedindo permissão pra fazer uma apresentação.
Parecia até que eles tinham ensaiado o jogral durante horas: cada um deles lia um trecho, terminando em coro no final de cada bloco. Pra fechar com chave de ouro, o próprio João entrou em cena pra segurar a garotinha na mesma posição desenhada pelo ilustrador Biry Sarkis. Não estranhe se, de repente, algo se inverter/ De ponta-cabeça é só outro modo de ver/ Porque cada coisa tem o seu lugar/ Mas tudo sempre pode mudar/ Depende do seu jeito de olhar!
Fiquei literalmente no "céu".
(ST)
26 de abr. de 2011
Tarde demais
É como um gol que acontece depois do juiz apitar o final da partida -- já não há o que comemorar. Às vezes a gente torce tanto e espera muito pra que certas coisas aconteçam, mas o encontro que poderia mudar tudo ou a palavra que talvez virasse o jogo perdem a hora de acontecer.
Tarde demais é quando o futuro chega atrasado.
(ST)
Tarde demais é quando o futuro chega atrasado.
(ST)
19 de abr. de 2011
Escrever
Às vezes começo colocando o sofá e alguns tapetes na sala. De vez em quando, os primeiros móveis vão direto para o quarto, e é lá que fico morando um tempão, meio fechada, sem pensar na mobília do resto da casa. Cada vez acontece de um jeito, mas escrever pode ser exatamente assim, e as histórias só terminam quando a casa está toda equipada, com roupas dentro do armário, cheiro de bolo na cozinha, portarretratos e objetos espalhando lembranças por todos os cantos.
Enquanto moro nesse lugar, muitas vezes mudo a decoração, hospedo pessoas que vão e vem, aprendo a conviver com quem acaba ficando. No final, quase sempre é difícil abandonar essa morada – depois de um tempo a gente se apega, tudo em volta já se tornou querido e familiar demais. Com certa tristeza, me preparo pra ir embora, mas enquanto checo todas as coisas pela última vez também fico satisfeita vendo que a casa está montada, em ordem e pronta pra receber visitantes. Então passo um tempo perambulando pela cidade, me atrevo por bairros desconhecidos, descubro ruas simpáticas e, em algum momento, me interesso por outro endereço. Nos primeiros dias, estranho tudo: os barulhos da vizinhança, a cara do jornaleiro, a distância até a padaria. Mesmo assim, decido ficar porque, depois de pintar as paredes de branco e passear sem pressa pelos espaços ainda vazios, sinto o perfume de uma história novinha em folha misturado ao cheiro da tinta fresca.
Enquanto moro nesse lugar, muitas vezes mudo a decoração, hospedo pessoas que vão e vem, aprendo a conviver com quem acaba ficando. No final, quase sempre é difícil abandonar essa morada – depois de um tempo a gente se apega, tudo em volta já se tornou querido e familiar demais. Com certa tristeza, me preparo pra ir embora, mas enquanto checo todas as coisas pela última vez também fico satisfeita vendo que a casa está montada, em ordem e pronta pra receber visitantes. Então passo um tempo perambulando pela cidade, me atrevo por bairros desconhecidos, descubro ruas simpáticas e, em algum momento, me interesso por outro endereço. Nos primeiros dias, estranho tudo: os barulhos da vizinhança, a cara do jornaleiro, a distância até a padaria. Mesmo assim, decido ficar porque, depois de pintar as paredes de branco e passear sem pressa pelos espaços ainda vazios, sinto o perfume de uma história novinha em folha misturado ao cheiro da tinta fresca.
(ST)
18 de abr. de 2011
Um livro, muitas histórias
No sábado, o "Como Começa" entrou na roda de leitura dos pequenos do Colégio São Domingos. Não conseguimos chegar a uma conclusão sobre o mundo ter começado num dia 1º de janeiro, mas todo mundo concordou que uma boa piada sempre faz a risada começar.
De lá, o livro foi para o palco da Pinacoteca, numa apresentação linda do Grupo Dançaberta.

O vento também é um mistério
Às vezes, começa antes da chuva
E de vez em quando começa por nada
É só vontade de ventar
(ST)
De lá, o livro foi para o palco da Pinacoteca, numa apresentação linda do Grupo Dançaberta.
O vento também é um mistério
Às vezes, começa antes da chuva
E de vez em quando começa por nada
É só vontade de ventar
(ST)
15 de abr. de 2011
Fofoca (2)
Essa é pra espalhar: o espetáculo “Começar e Cutucar: Vamos Ver Onde Vai Dar”, baseado no livro da Marília Fiorillo, “Nem Tudo se Cutuca”, e no meu “Como Começa”, entrou na programação da Virada Cultural. O Grupo Dançaberta se apresenta na Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2), às 16h. Espero todo mundo lá!
(ST)
Fofoca (1)
Ela disse que ele disse e pediu pra não dizer, só que o diz que diz já tinha começado a correr, diz a ilustração de Norman Rockwell.
(ST)
13 de abr. de 2011
Mentira
Era como se o som das palavras não encaixasse com o movimento dos lábios: o menino parecia o ator de um filme mal dublado.
(ST)
(ST)
12 de abr. de 2011
Ai, que azul!
No 7º capítulo de "Uma Bruxa em Órbita", a Creuza fica encantada tudo o que está acontecendo na grande festa de Marte. Vibra com as danças rodopiantes, com os penteados exóticos das bruxas e com os vapores multicoloridos que não param de sair dos caldeirões flutuantes. No próximo capítulo, o último, programado para entrar no ar no próximo dia 14, ela vê a Terra pela luneta mágica do bruxo Hélio e se emociona do mesmo jeito que o astronauta russo Yuri Gagarin, hoje lembrado no Estadão pela sua célebre frase: "A Terra é azul!".
Pra ler a história completa, clique no Brincando na Rede.
Pra ler a história completa, clique no Brincando na Rede.
11 de abr. de 2011
Aspirador
Fecho a porta, mas o rugido da fera vibra nas paredes, passa pelas frestas e invade a minha cabeça, sugando as ideias que ainda estavam estavam escondidas numa nuvem de poeira.
(ST)
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