23 de nov de 2011

Tempo

Ela nasceu no final de novembro de 2000. Tinha três meses quando veio morar com a gente, uma gata branquinha e pequenina, dando susto sempre que desaparecia dentro de um tênis ou no fundo de uma gaveta. Meu filho, com seis anos na época, foi logo batizando a bichana de “Miúda”. Franzina ela era mesmo, mas também tão temperamental que rapidamente ganhou um sobrenome: Miúda Felina. Na prática, o que colou mesmo foi o apelido, Miú, muito mais adequado, e por dois motivos simples: com a convivência, o tal gênio amansou, dando lugar a um serzinho ronronante, macio e brincalhão; o segundo motivo é que, em poucos meses, aquela criaturinha já não tinha nada de miúda: virou uma gatona amarronzada, siamesa elegante com porte de leoa.
Neste seu 11º novembro, ela completa uma idade que equivale aos nossos 60 anos. Está mais cheinha, menos ágil, dorme por horas a fio, conversa menos. O menino que foi criança junto com a gata virou um adolescente alto, magríssimo, inquieto e falante. Está às vésperas do vestibular e do primeiro mochilão, com tudo por começar -- num único tempo, dois tempos correndo juntos em direções opostas.
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