27 de mai de 2011

Coincidências

Podia ter sido o título do post de anteontem: foi uma grande coincidência eu estar entrando na livraria na mesma hora em que o moço da editora apresentava meu livro recém-publicado (e que eu ainda não tinha visto) pra gerente. E também foi por acaso que o Pedro tirou da estante da biblioteca um livro que sua mãe reconheceu pela capa, publicada aqui dias atrás – uma coincidência que a Juliana contou ontem, no seu comentário. A gente sempre se surpreende quando coisas inesperadas, mesmo as mais banais, acontecem ao mesmo tempo – é como se a vida real ganhasse um toque de ficção, com direito a mistérios e acasos que parecem caber só nas histórias inventadas. Lembrei de um livro que fala muito sobre isso e até fiquei com vontade de reler “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera. Fui procurar e achei um trecho que diz exatamente o que penso: “Nossa vida cotidiana é bombardeada de acasos, mais exatamente encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos – aquilo que chamamos de coincidências (...) O romance não pode ser censurado por seu fascínio pelos encontros misteriosos dos acasos (...), mas podemos, com razão, censurar o homem por ser cego a esses acasos da vida cotidiana, privando assim a vida da sua dimensão de beleza”.
Não há nada de sobrenatural nas coincidências. Elas só nos fazem lembrar que a magia também faz parte da vida.    

(ST) 

2 comentários:

Fabíola disse...

Pôxa vida, Silvana...

mais coincidências... ontem à noite conversei exatamente sobre isso com meu marido: sobre como a gente tem a ingênua impressão de que controla nossa vida, mas de como ela é, na verdade, muito mais resultado de uma série de acasos - muito mais do que nós de fato imaginamos. Não se trata de não dar o devido valor ao nosso planejamento, às nossas ações - mas são tantos os fatos que acontecem, que afetam nossa vida de forma mais ou menos importante, e sobre os quais nós não temos realmente controle nenhum...

Ler seu post hoje só fez confirmar isso tudo. Que coincidência feliz, não?

Faz tempo que li "A Insustentável Leveza do Ser" - talvez seja o momento de retomá-lo.

Um abraço e um sorriso!

Juliana disse...

Já anotei o nome do livro. Quem sabe a próxima ida a biblioteca municipal, para devolver "Quando começa?" eu encontre este livro. Feliz coincidência!