11 de jan de 2010

O peixe

Ele é azul. Ou melhor, muitos azuis. De vários tons brilhantes de escamas que vão clareando até sumir numa cauda fininha, quase transparente. Está dentro de um aquário grande com pedras, plantas ornamentais e outros peixes de cores e temperamentos diferentes -- é o único que não para quieto. Sobe veloz pra mergulhar na diagonal em direção ao fundo, no outro canto, e logo parte pra outra extremidade. Às vezes, nessas descidas, fica um tempinho olhando pela parede de vidro, entretido com o movimento colorido do imenso oceano que circunda o aquário. Mas logo sobe outra vez e mais uma vez desce, desenhando uma linha azul, como se fosse o contorno de um quadro líquido. Nesse vai e vem acorda um peixe que está se fingindo de pedra, cutuca uma turma que boia em grupo, meio sonada, implica com um douradinho, minúsculo, que se atrapalhou no meio das algas. Mas ninguém dá bola. Então o azul continua, sozinho, pra cima e pra baixo. É o único que não para quieto e se arrisca até o ponto mais alto, só pra mordiscar a água com gosto de céu.

(ST)
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