16 de out de 2009

Sobre as nuvens

Às vezes eu vejo os pensamentos. E não tem nada a ver com adivinhação! Isso é pra quem tem aqueles dons especiais. Ou também acontece quando a gente conhece alguém muuuuuuuuito bem. É assim com a minha mãe: tem horas que só de olhar já sei que ela vai me mandar tomar banho, por exemplo.
Mas aí é outra coisa. Estou falando de ver o pensamento sendo pensado. A gente consegue enxergar uma espécie de nuvem que vai aparecendo, geralmente no alto da cabeça da pessoa. Nessa hora, tem gente que olha pra cima e fica revirando os olhos, tentando descobrir o que tem lá dentro. Também tem uns que mordem a boca, bem no cantinho -- daí os olhos disfarçam, fingindo que estão olhando pra outra coisa e que não tem nuvem nenhuma ali. Mas ela está lá e fica perturbando. Não desmancha enquanto a pessoa não der atenção.
Quando o pensamento é triste, os olhos descem, quase fecham. Claro que a pessoa não quer ver! Mas com esse tipo eu ainda me confundo porque o pensamento preocupado também é meio assim, olhando pra baixo. Só que nesse a pessoa sempre pisca mais porque a nuvem pesa, fica incomodando.
É muito legal ver o pensamento-vulcão se formando. Esse tipo de nuvem até embaça o ar de tão quente que é. Se a pessoa fica vermelha, o pensamento é de raiva. Mas quando o rosto acende, é porque lá dentro tem alguma ideia muito boa.
Quando o pensamento é muito interessante ou preocupante, a nuvem cresce e a pessoa não presta atenção em mais nada. Todo mundo já viu gente assim, com a “a cabeça nas nuvens”, é ou não é?
De vez em quando também vejo umas nuvens pretas. Não sei o que tem dentro, nem gosto de olhar muito.
Ver todas essas nuvens é legal, mas não não ver nada também é, porque pensamento gostoso quase nunca forma nuvem. Daí a cabeça tá sempre limpinha que nem céu azul.
...
Andei mexendo em textos antigos, como esse, de 2007. Mudei uns issos e aquilos. É o mesmo, mas ficou diferente.

(ST)
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