22 de jun de 2009

Meus hobbies

Até pouco tempo atrás, quando alguém perguntava qual é a minha profissão, eu nem titubeava: jornalista. Custei muito pra incluir "... e escritora" nessa resposta. Hoje em dia, afastada das redações, às vezes tenho a ousadia de responder só "sou escritora", mesmo sabendo que a pessoa vai insistir no assunto: "Sei... Mas você trabalha em que?". Pois é. Muita gente acha que ser escritora é um hobby e, agora, com a extinção do diploma de jornalismo, acho que ganhei mais um.
A discussão sobre a obrigatoriedade do diploma não é nova e é sempre cheia de controvérsias. É verdade que Paulo Francis, Truman Capote e muitos outros grandes jornalistas talvez não tivessem esse canudinho pendurado na parede. Também é verdade que a prática das redações ensina mais e melhor do que a teoria das nossas tristes faculdades. Mas também é absurdo desqualificar a formação desse jeito, como se boa dicção e uma bela estampa bastassem pra transformar alguém em âncora de telejornal.
A academia não é mesmo uma garantia de qualidade, mas, aí, seria o caso de estender essa "desobrigatoriedade" do diploma pra muitas outras profissões. Estou errada?

7 comentários:

claudia disse...

é Sil, um mundo sem exigências, é o que estamos vendo em todas as àreas. bj clau

noemi disse...

sil, obrigada pelo comentário lindo no meu blog! e, quanto ao diploma, preciso pensar e me informar pra assumir uma posição, mas conheço muito escritor também sem formação nenhuma, professor maravilhoso sem diploma...não sei...acho que é mais caso a caso, será?
beijo!

Silvana Tavano disse...

Oi, Noemi! Pois é, esse justamente é o problema -- é claro que tem mil exemplos de jornalistas fantásticos sem essa formação específica, e um monte de gente formada que não articula lé com cré, a gente sabe... Mas pensando no Brasil e na questão da educação, poxa, o mínimo do mínimo é a exigência do diploma, você não acha? Talvez a saída seja dar um jeito de incluir as exceções, quer dizer, permitir que advogados, escritores, economistas eventualmente trabalhem como jornalistas... Sei lá. Nem por isso precisa desqualificar quem investiu ou quer investir exclusivamente numa faculdade de jornalismo.

beijo!

Anônimo disse...

Está certíssima. Não me conformo que uma pessoa, estude, se forme e derrepente aquilo não serve mais, é considerado desnecessário. Não sou jornalista, mas não achei certo.Tô contigo ,cunhada.

Ricardo disse...

Silvana,tudo bem ?
Trabalhar numa profissão sem diploma acontece também com outras profissões.O Zanine Caldas é um exemplo de arquiteto , mestre em estruturas de madeira, que não cursou a faculdade. No caso do jornalismo, dominar bem o assunto sobre o qual vai escrever é a condição necessária...mas não suficiente, daí também a importancia do curso de jornalismo.
A vida academica e a pratica se completam...
Abçs,
Ricardo Viggiani.

MALU, SIMPLES ASSIM disse...

O maior problema agora, a meu ver, é a regulamentação da profissão. Como é que os jornalistas vão ficar de hoje em diante, ao Deus dará, sem direitos e deveres?
Bjs.

Regina d'Ávila disse...

Concordo..acho que deveria ser dado "status"de jornalistas para os antigos e consagrados..mas nunca acabar, praticamente, com uma faculdade ou curso..
Muitos anos atrás existia a figura do Rábula ou Provisionado, no Brasil, era o advogado que, não possuindo formação acadêmica em Direito (bacharelado), obtinha a autorização do órgão competente do Poder Judiciário (no período imperial) ou da entidade de classe (primeiro do Instituto dos Advogados; a partir da década de 30 da OAB) para exercer, em primeira instância, a postulação em juízo.
Mas, com o tempo, esta figura foi acabando, sumindo, ficando apenas os advogados e os bacharéis.
.Acho um absurdo tudo isso..
Fiquei com pena da minha filha...hahaha..que está cursando o útimo período de jornalismo..
Espero que seja revisto tudo isso.
Bjssssssssssssss