25 de jan de 2009

Um lugar pra chamar de meu

-- Meia-noite, tá na hora dos esquisitões.
-- Esquis... quem?
-- Os zumbis, oras!
-- E daí? Qual é o problema dos zumbis?
-- É que... Eu não gosto deles, é isso.
-- Como assim, não gosta?
-- Não gostando!
-- ... ?
-- É que eles são tão... tão... carrancudos!
-- ... ??
-- É! São uns anti-sociais! A gente bem que podia trocar umas figurinhas, mas eles fazem questão de se isolar. É ou não é?
-- Sei lá, nunca pensei nisso.
-- Pois então: nunca nos convidaram e, que eu saiba, nunca chamaram nenhum fantasma, e eles saem pra assombrar quase todas as noites!
-- Pode ser. Mas, e daí?
-- E o que você me diz do barulho? Toda noite a mesma coisa: empurra pedra daqui, range portinhola dali, é um tal de abrir caixão e bagunçar todos os túmulos, uma confusão!
-- Engraçado.
-- O quê?
-- Você não reclamava da turma da mansão, e olha que aqueles velhos fantasmas arrastavam correntes dia a noite, não davam folga.
-- Ah, mas é completamente diferente!
-- Como assim?
-- Aquilo era música pros meus ouvidos! Um pessoal de nível, que fazia questão de manter as velhas tradições! Falando nisso, onde será que a turma foi parar depois que a mansão virou shopping center?
-- Soube que uma parte do grupo decidiu continuar por lá mesmo. Parece que o estacionamento do tal shopping ficou sombrio e úmido, bem gostosinho mesmo. Os outros se espalharam por aí, talvez tenha alguém neste mesmo cemitério...
-- Foram bons aqueles tempos: éramos uma comunidade e tanto. Só fantasmas, espectros da mesma natureza! Já esses zumbis...
-- De novo essa história?
-- Eu não gosto de meio termo: pra mim, morto é morto, vivo é vivo. Quer saber? Esse negócio de morto-vivo, não dá!
-- Só que os zumbis estão em casa, lembra? Nós até podemos circular à vontade por aí, mas, de acordo com o Código Sobrenatural, eles é que mandam nos cemitérios.
-- Por isso mesmo vou procurar outro lugar. Você vem comigo?

Aguardem, amanhã, o segundo postículo da mininovela!

(Silvana Tavano)
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