27 de jan de 2009

Um lugar pra chamar de meu (2º postículo)

No hotel

-- Estamos com a casa cheia. Lo-ta-da!
-- Não é possível, vocês têm tantos quartos! E não estou pedindo pra ficar debaixo de uma kingsize da suíte presidencial...
-- Sinto muito, amigo. Não temos vaga nem mesmo sob as camas extras.
-- ...
-- Você já deu uma olhada nos teatros da cidade? Tem uns porões interessantes, e muitos estão praticamente vazios.
-- Pois é. Vazios demais...
-- Bom, se você está querendo movimento, por que não mergulha num subterrâneo do metrô? Dependendo do trecho, tem escuridão dia e noite, o que é uma verdadeira raridade nas grandes cidades!
-- Nunca estive nesses túneis, mas posso imaginar a quantidade de vampiros que já descobriram isso!
-- E qual o problema? Não me diga que você ainda sonha com masmorras exclusivas, castelos cinco estrelas ou navios piratas intocados no fundo do oceano?
-- Não é bem isso, só que...
-- Ah, você é um romântico!
-- Eu sou?
-- Bom... Parece que você não quer ver a realidade: o outro mundo está superpovoado... Anda difícil conseguir lugar até mesmo em parque de diversão. Sem dizer que... Bem, na minha opinião, nada pode ser mais decadente do que um trem-fantasma, concorda?

Ainda esta semana, o terceiro e provavelmente último postículo da mininovela. Aguardem!

(Silvana Tavano)
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