17 de set de 2008

O médico, o monstro e as crianças

Meu filho estava terminando de ler "O Médico e o Monstro" quando cheguei em casa, ontem à noite. Antes de dizer se tinha gostado ou não do livro, ele comentou que, na introdução, havia uma citação do autor que podia cair bem no blog. De acordo com o texto, Robert Louis Stevenson teria feito a seguinte afirmação para um amigo, numa carta: "É muito divertido escrever histórias para crianças. A gente se deixa levar pelo coração e pronto: nada de preocupações, nada de esforço. A única dificuldade é chegar ao fim".
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É verdade que pode ser muito divertido escrever para crianças e também concordo com o "se deixar levar pelo coração", se der pra ampliar o sentido desse "coração", incluindo aí a intuição, as emoções, a imaginação. Só que também é verdade que, por trás de toda liberdade que essa escrita permite, normalmente tem muito trabalho. Não é uma questão de dificuldade: o fato de encarar um certo esforço e ter algumas preocupações não rouba a espontaneidade da história nem faz com que essa aventura -- a de escrever -- seja menos divertida. Pelo contrário, acho que esse tipo de exercício traz a chance de surpreender e conduzir o leitor e o autor por caminhos deliciosamente inesperados. Estou errada?

(Silvana Tavano)

2 comentários:

may shuravel disse...

Pois é, Silvana,escrever para crianças pode mesmo ser divertido.Ou, melhor dizendo,acho que pode dar prazer.E escrever para adultos,não?Será apenas sofrimento, esforço e dor?Esse "nada de esforço, nada de preocupação"está mais para antítese de divertimento,de brincadeira inconsequente, coisa diferente do prazer que a gente pode encontrar no trabalho feito com esforço, dedicação e vontade de fazer o melhor possível.Enfim,acredito que escrever para crianças não é nem mais divertido nem mais prazeroso do que escrever para adultos.Assim como não acho que pediatras e professores do ensino fundamental necessariamente se divirtam mais do que geriatras e professores universitários.
beijo
May

Silvana Tavano disse...

... é exatamente isso, May! A idade do leitor não aumenta nem diminui o prazer que a gente sente de (tentar) escrever um bom texto.
beijo!