abracadabra: um, dois, três!
ué, não vai sair coelho dessa vez?
abracadabra: toc, toc, toc!
hmm, essa mágica precisa de um retoque...
abracadabra: tum, tum, tum!
nada de coelho! nem ao menos um?
abracadabra: ora, ora, ora!
vejam só: tem letra saindo da cartola!
abrapalavra: um, dois, três!
e agora aparecem as, bês e cês!
abrapalavra: toc, toc, toc!
oba, mil letrinhas no estoque!
abrapalavra: ora, ora, ora!
quantas palavras, e lá vem história!
abracadabra, abrapalavra, salabim:
que delícia é fazer mágica assim!
...
Venham brincar comigo no próximo dia 17, na Biblioteca São Paulo, a partir das 15h.
28 de jun. de 2013
25 de jun. de 2013
19
Você me olhou de um jeito tão sério que fiquei sem graça. Tinha imaginado o nosso primeiro encontro de tantas maneiras, nunca assim: silencioso, quase solene. Eram 11h10, fazia um frio danado lá fora e, por um momento, ficamos nos encarando com estranheza, ainda sob o impacto de termos sido separados -- o cordão que nos unia numa intimidade tão absoluta tinha sido cortado.
De repente, era assim: eu e você.
Diferente do que sempre pensei, o amor não explodiu naquele instante, óbvio, imediato. Foi vindo devagar, dia após dia, e se tecendo forte, num laço invisível, macio e elástico, que segue crescendo à medida em que você também cresce.
Às vezes, você entra em casa e me dá oi daquele jeito sério. Dezenove anos depois, reconheço o mesmo olhar da maternidade e, inesperadamente, sinto uma onda de amor que explode vendo você chegar mais uma vez.
De repente, era assim: eu e você.
Diferente do que sempre pensei, o amor não explodiu naquele instante, óbvio, imediato. Foi vindo devagar, dia após dia, e se tecendo forte, num laço invisível, macio e elástico, que segue crescendo à medida em que você também cresce.
Às vezes, você entra em casa e me dá oi daquele jeito sério. Dezenove anos depois, reconheço o mesmo olhar da maternidade e, inesperadamente, sinto uma onda de amor que explode vendo você chegar mais uma vez.
24 de jun. de 2013
Quacs!
Treze patos e duas Silvanas: vem aí "O Patinho Culpado", meu primeiro livro com o selo Caramelo e também a primeira parceria com a talentosa xará Silvana Rando.
20 de jun. de 2013
Nas ruas
"(...) Existe um outro mundo na barriga deste mundo (...)".
Nos últimos dias, lembrei muitas vezes da entrevista do escritor Eduardo Galeano, observando a manifestação dos jovens espanhóis, em 2011.
Nos últimos dias, lembrei muitas vezes da entrevista do escritor Eduardo Galeano, observando a manifestação dos jovens espanhóis, em 2011.
15 de jun. de 2013
Ovelhinhas*
Ovelha, ovelhinha
Quem mandou sair da linha?
Num rebanho tão obediente
Que história é essa de ser diferente?
E não é que outra segue bem animada
Atrás da ovelhinha desgarrada?
E mais uma e duas e de repente
Quantas ovelhinhas transviadas!
Lá vão as desencaminhadas
Berram velhas ovelhas, indignadas
O que querem essas danadas?
Pasmam tantas ovelhas, atordoadas
Em busca de um novo caminho
Canta a ovelha, ovelhinha:
Se essa rua se essa rua
Fosse minha
...
*As ovelhas da querida Noemi Jaffe deram cria por aqui.
13 de jun. de 2013
Como Começa
Para saber onde as coisas vão dar, só tem um jeito: começar!
Torço pelos jovens que estão indo para as ruas: alguma coisa importante está começando.
9 de jun. de 2013
6 de jun. de 2013
4 de jun. de 2013
Dicionário imaginário (3)
Intuição (s.f) 1. um tipo de flash que dispara de repente, deixando entrever uma fotografia que ainda não foi revelada; 2. cheiros, visões, sensações, sons e/ou pensamentos que muitas vezes dão mais sentido a cada um dos nossos cinco sentidos; 3. pressentimento disfarçado de sonho; 4. mistério que se faz entender, mesmo sem se explicar.
30 de mai. de 2013
Dicionário imaginário (2)
Casa (s.f) 1. país, cidade, rua ou simplesmente o quarto para onde sempre se quer voltar depois de uma longa ausência; 2. espaço reservado para: botões (das roupas); peças de dama e de xadrez (dos tabuleiros); amigos (do coração); 3. lugar onde geralmente moram a escova de dentes, os livros e os sonhos das pessoas.
28 de mai. de 2013
Infância
Numa manhã escura como hoje, eu era pequena e tinha medo que a noite nunca terminasse. Então me escondia debaixo da coberta, encolhida no meu quarto de filha única, quietinha, até ouvir o barulho dos pratos e talheres acordando na cozinha, e sentir o cheiro bom da loção pós-barba passando pelo corredor -- mãe e pai: minhas certezas a cada amanhecer.
24 de mai. de 2013
20 de mai. de 2013
Dona Cora
Eu não conheci dona Cora. Sei que ela gostava de história, como seu neto, e de romances, como eu. Lia revistas francesas e cantava La Violetera quando estava alegre, a mesma música com que eu, muito antes de vir a saber disso, ninava meu filho, com letras inventadas. Sei também que ela vivia mudando as cores das paredes e dos tecidos da casa, e que tinha uma primavera carmim sempre florida no jardim.
Hoje eu li um poema de Adélia Prado e pensei nela:
...
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Hoje eu li um poema de Adélia Prado e pensei nela:
...
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
...
Eu não conheci dona Cora, mas chego a sentir saudade dela de tanto que a conheço.
17 de mai. de 2013
Inverno
noite escura
céu deserto
ninguém na rua
de repente
entre nuvens
luz
crescente lua
se insinua
céu deserto
ninguém na rua
de repente
entre nuvens
luz
crescente lua
se insinua
16 de mai. de 2013
12 de mai. de 2013
Mãe
O tempo passa pela gente
Igual e diferente
Diminui a dor
Feito unguento
Aumenta a saudade
Feito fermento
Igual e diferente
Diminui a dor
Feito unguento
Aumenta a saudade
Feito fermento
3 de mai. de 2013
Problema
Das equações que não consigo resolver: arrumo a mala em dois tempos, não sou cheia de nove horas. O x da minha questão fica entre o oito e o oitenta, e a conta nunca fecha. Levo roupa de menos ou, pior, carrego o diabo a quatro mesmo quando a viagem é rapidinha, dessas que a gente vai e volta em três palitos. Resultado: nota zero pra mim.
30 de abr. de 2013
Dicionário imaginário
Nuvem (s.f.) 1. tipo de travesseiro levíssimo, forrado com plumas de anjos, em vários tamanhos e formatos, ideal para ser usado durante o dia, proporcionando breves porém profundos momentos de repouso e relaxamento; 2. medicamento administrado por via visual, com uso liberado em altas doses e sem limitação de tempo, de efeito calmante notável no dia a dia, sem contraindicações, proporcionando alívio imediato em situações de crise através da associação de dois princípios ativos extraídos da natureza: passa-tudum (ação tranquilizante advinda da percepção de que tudo é passageiro); e cabrum-pluft (ação antiestresse, reavivando a lembrança de que todas as tempestades desmancham).
28 de abr. de 2013
26 de abr. de 2013
Ein Vergnügen*
Selecionado pela Fundação Biblioteca Nacional dentro do programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros, o "Como Começa" vai circular na próxima feira de Frankfurt com tradução assinada por Dagmar Witt.
(*) em português: "que delícia!", com tradução também assinada pela minha querida Claudia Abeling!
(*) em português: "que delícia!", com tradução também assinada pela minha querida Claudia Abeling!
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