28 de mai de 2013

Infância

Numa manhã escura como hoje, eu era pequena e tinha medo que a noite nunca terminasse. Então me escondia debaixo da coberta, encolhida no meu quarto de filha única, quietinha, até ouvir o barulho dos pratos e talheres acordando na cozinha, e sentir o cheiro bom da loção pós-barba passando pelo corredor -- mãe e pai: minhas certezas a cada amanhecer.

8 comentários:

Rubinho Osório disse...

Muito bom!!! Delicadíssimo e verdadeiro. Gostei demais!

Silvana Tavano disse...

obrigada, Rubinho! ♥

Denise Portes disse...

Quem tem essa alma de poeta transforma os sentimentos em palavras delicadas como essas e o leitor em lembranças com lágrima de alegria. Lindo!
Beijos
Denise

Viviane Lopes disse...

Eu ouvi o som dos pratos e talheres. Lindo! Delicado, simples e verdadeiro.

MCris disse...

=]

e tem aquele poema do manuel bandeira:

As rodas rangem na curva dos trilhos
Inexoravelmente.
Mas eu salvei do meu naufrágio
Os elementos mais cotidianos.
O meu quarto resume o passado em todas as casas que habitei.

Dentro da noite
No cerne duro da cidade
Me sinto protegido.
Do jardim do convento
Vem o pio da coruja.
Doce como arrulho de pomba.
Sei que amanhã quando acordar
Ouvirei o martelo do ferreiro
Bater corajoso o seu cântico de certezas.

- "O martelo", Lira dos Cinquent'Anos

Boa semana pra vc!

Anônimo disse...

que lindeza ,Sil !!! beijo

Anônimo disse...

Tanya

Silvana Tavano disse...

Tanya!!! Saudades!
Quando a gente se vê, poxa?