20 de mai de 2013

Dona Cora

Eu não conheci dona Cora. Sei que ela gostava de história, como seu neto, e de romances, como eu. Lia revistas francesas e cantava La Violetera quando estava alegre, a mesma música com que eu, muito antes de vir a saber disso, ninava meu filho, com letras inventadas. Sei também que ela vivia mudando as cores das paredes e dos tecidos da casa, e que tinha uma primavera carmim sempre florida no jardim.
Hoje eu li um poema de Adélia Prado e pensei nela:
...
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.

Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
...
Eu não conheci dona Cora, mas chego a sentir saudade dela de tanto que a conheço. 

3 comentários:

Anônimo disse...


Oi cunhada, deixou-me emocionada, sim vc teria gostado muito dela, iam se dar bem. Não de cara, pois ela ia sempre com calma. Mas aos poucos, como deve ser.Beijos

Margarida disse...

Que palavras tão bonitas. Uma bela homenagem, que encanta quem não conheceu o encanto da Dona Cora. Beijos.

rjs disse...
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