25 de jun de 2013

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Você me olhou de um jeito tão sério que fiquei sem graça. Tinha imaginado o nosso primeiro encontro de tantas maneiras, nunca assim: silencioso, quase solene. Eram 11h10, fazia um frio danado lá fora e, por um momento, ficamos nos encarando com estranheza, ainda sob o impacto de termos sido separados -- o cordão que nos unia numa intimidade tão absoluta tinha sido cortado.
De repente, era assim: eu e você.
Diferente do que sempre pensei, o amor não explodiu naquele instante, óbvio, imediato. Foi vindo devagar, dia após dia, e se tecendo forte, num laço invisível, macio e elástico, que segue crescendo à medida em que você também cresce.
Às vezes, você entra em casa e me dá oi daquele jeito sério. Dezenove anos depois, reconheço o mesmo olhar da maternidade e, inesperadamente, sinto uma onda de amor que explode vendo você chegar mais uma vez.

4 comentários:

Nina disse...

Que lindo isso. Da maternidade para a vida mundo afora da nossa barriga. E quase vinte anos depois... uma emoção que não passa - e é bem-vinda.
Abraços.

Dayse Roumillac disse...

Lindo, comovente em quatro parágrafos a história de uma vida, acabei de assistir a um filme.
P.S: adoro seu blog
abraços

Pedra do Sertão disse...

Passando para me atualizar por aqui...tudo sempre bem feito e com arte!

Aproveito para dizer que copiei uma imagem de seu blog, para enfeitar um poema meu...passe no Pedra do Sertão para ver:

www.pedradosertao.blogspot.com

Abração,

Araceli

Silvana Tavano disse...

Nina, Dayse, Araceli: ♥