7 de ago de 2012

Dois meninos

O mais alto deve ter sete, oito anos. O outro não tem mais do que cinco. O maior corre atrás do menor, em volta do fusca creme, estacionado num corredor-garagem, ao lado da loja de tintas. Num dos cruzamentos da rua Cerro Corá, o farol fica verde, amarelo, vermelho e novamente verde, mas os carros não se movem, então abaixo o volume do rádio e fico ouvindo a risada gostosa dos meninos, os gritinhos aflitos do pequeno cada vez que o outro inverte o sentido do pega-pega, tentando surpreendê-lo em pleno voo. Pra que a brincadeira não termine, o mais velho diminui o ritmo, quase para até o menorzinho recuperar o fôlego. É só um instante e logo estão correndo de novo, rindo do que já sabem que vai acontecer: o maior repete a armadilha, o pequeno leva o mesmo susto, como se fosse a primeira vez.
Quando o trânsito começa a fluir, avanço sem pressa, olhando os meninos pelo espelho retrovisor, agradecida por me fazerem lembrar que a alegria não precisa de motivo pra acontecer.
...
Andei remexendo em textos antigos, como esse, publicado aqui.
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