29 de jul de 2010

Meu ritual de passagem

Faz dias que estou enrolando, mas hoje finalmente imprimi o arquivo. Meu próximo livro ainda não tem cara de livro, as ilustrações não estão prontas, o texto não está formatado. O arquivo traz as correções da revisora, tirando ou colocando os hífens que continuo embaralhando pós-nova ortografia. Minha hesitação em ler não tem nada a ver com isso, posso até discordar de uma ou outra sugestão da revisão, mas, e se eu começar a ver tudo quanto é problema no que eu mesma escrevi? Ainda dá tempo de mudar uma coisa aqui, outra ali, reescrever um trecho, se for o caso, mas não se trata disso. Esse é um livro diferente. Não é ficção, mas, às vezes, até parece. Os personagens são reais e serão leitores exigentes, a quem eu não gostaria de decepcionar.
Ao longo de um ano, conversei com dezenas de jovens até chegar às doze histórias que compõem o livro. Mais do que simples entrevistas, todos esses encontros foram muito emocionantes, pra eles e também pra mim. Ninguém tinha uma resposta pronta para a minha pergunta: em que momento você percebeu que já era um adolescente? Os que toparam o desafio de refletir sobre os seus rituais “particulares” de passagem e mergulharam em suas próprias experiências em busca de uma resposta ou, pelo menos, de pistas disso, fizeram todo o trabalho valer a pena. Agora é hora de checar se tudo “isso” está no papel: será que consegui ser fiel ao tom de cada um, aos detalhes e toda intimidade que eles compartilharam comigo?
Respiro fundo e começo a ler. Implico com uma frase já no prefácio, fico em dúvida com o jeito como apresentei o projeto, mas, de novo, me encanto com as coisas que eles contaram. Entre as aspas, a leitura flui. Tomara que também seja assim com eles.

(ST)
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