31 de jul de 2009

Surpresa boa

Levei um susto quando vi meu livro novo no site da Cultura. A editora ainda nem mandou os dez exemplares de praxe, só unzinho, que não canso de folhear, encantada com as ilustrações da Mariana Newlands e com a paginação da Vanessa Sawada, da editora Globo -- que sorte poder trabalhar com gente tão talentosa!

(ST)

30 de jul de 2009

Era outra vez









Era uma vez a história de sempre
O príncipe casa com a princesa
E nada surpreende a gente

Mas, e se a maçã não fosse envenenada
E nessa história nem tivesse uma bruxa malvada?
A princesa adormece, o príncipe não aparece e...?

Era a vez de inventar uma história nova e interessante
Isso não parece bem mais emocionante?

(ST)

Muito antes de Toy Store

Encontrei esse filme de 1908 no Desculpe a Poeira, um sonho encantador produzido com os efeitos especiais da época pelo diretor Arthur Melbourne Cooper.

(ST)

28 de jul de 2009

Cadernos, um problema

Sou canhota e talvez isso explique porque minha letra nunca foi redondinha. Na escola, por mais que eu tentasse caprichar, meus cadernos não ficavam bonitos como os das outras meninas. Bem que eu tentava, mas depois das primeiras páginas entregava os pontos, desanimada com aqueles garranchos. Com os anos, percebi que o visual da minha escrita ficava até interessante quando cedia à sua natureza -- a do caos total. De certa forma, isso me liberou pra escrever pensando e grifando, riscando, fazendo círculos, asteriscos, flechas, sinais de todo tipo. Mas o resultado visual é lastimável. Mais ainda quando escrevo com pressa, tentando registrar o que passa pela cabeça ou a fala de alguém. Nos meus tempos de repórter, sofria pra decifrar o que eu mesma tinha anotado no bloquinho. Estava tudo lá, só que praticamente ilegível. Por conta disso, virei especialista em desvendar minha própria letra e a de qualquer pessoa -- não tenho nenhuma dificuldade com receitas médicas, por exemplo. Ainda assim, continuo me esforçando: nos primeiros dias do ano, a agenda Moleskine sempre é um primor, mas logo perco a cerimônia e os rabiscos invadem as páginas antes de fevereiro. É por isso que, quando ganho um caderno especial como esse "Idea Book", recheado de ilustrações do Andy Warhol, simplesmente não tenho coragem de usar -- tenho a impressão de que se escrever ao lado dessa página linda, os insetos vão se revoltar. E com razão.

(Silvana Tavano)

27 de jul de 2009

Bom de ler, bom de ver

Sempre que entrego um texto pra editora fico fazendo figas pra dar tudo certo com as ilustrações -- quando isso acontece, as imagens trazem novos sentidos, somam ideias e o livro fica redondo. É por isso que tenho uma certa inveja de quem ilustra e escreve, como minha querida amiga May Shuravel: é uma delícia acompanhar texto e ilustrações conversando como amigos íntimos no "Bruno Sem Sono". E por falar em amizade, adorei a estante do Bruno, com tantas histórias que eu gosto -- até os fantasmas assombrosos da Carla Caruso e a bruxa Creuza estão lá!

23 de jul de 2009

WeTube

Carla Caruso, Daniel Munduruku, Jonas Ribeiro, Silvia Camossa e eu participamos de um novo projeto da editora Callis, o "Encontro com Autores" -- pra ver os videos, clique aqui.

(ST)

22 de jul de 2009

De bico fechado


No meio de uma pesquisa para uma matéria, entrei num site sobre pássaros que estão praticamente extintos na natureza, como esse da foto, o Bicudo, catalogado como "criticamente em perigo". Hoje em dia é bem difícil encontrar um bicudo nos endereços tradicionais -- Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e oeste da Bahia. Essa turma sobrevive em cativeiro e se reproduz nas gaiolas dos criadores -- por causa do seu canto melodioso e flauteado, o bicudo é uma espécie de astro de campeonatos de canto, dom e glória que, perversamente, estão contribuindo pro seu sumiço na natureza.
...
Fiquei pensando numa história: cada dia mais triste, o bicudo foi perdendo a vontade de cantar. Os dias eram iguais, a vida sem graça dentro da gaiola, nada em volta pra se inspirar, já não tinha motivo pra soltar aqueles gorjeios cheios de tralalá. De fora, o dono observava, apreensivo -- será que ele tinha enjoado da ração? Então, inesperadamente e só de vez em quando, animado pelo sol forte, abaixava o rabo e fazia sua melhor pose de barítono: peito pra frente, bico empinado, ensaiava uns compassos, tentava novas harmonias, mas a coisa já não engrenava como antes. Pouco a pouco, foi emudecendo até nunca mais sair da gaiola pra participar dos torneios. Esqueceu todo o seu repertório e de tudo o mais -- das paisagens, dos voos sem destino, da vida nômade e até do nome pomposo da família, Oryzoborus Maximiliani. Por ironia do destino, seu apelido ganhou outro significado: continuou vivendo calado e bicudo.

(Silvana Tavano)

20 de jul de 2009

Férias em São Paulo

quero ir brincar lá fora
agoragoragora
garoa, vai embora!
agoragoragora
senão é melhor ir pra escola
agoragoragora

(ST)

19 de jul de 2009

Domingo no zoológico

-- Por que você tá andando pra lá e pra cá feito barata tonta?
-- ...
-- Alguém andou botando minhocas na sua cabeça?
-- ...
-- Xi, tô achando que virei o bode expiatório!
-- ...
-- Ihhhhhhhhhhhhh! O que é isso agora? O gato comeu sua língua, é?
-- ...
-- Vai continuar fazendo boca de siri?
-- Não tô a fim de conversa mole pra boi dormir.
-- ?
-- Pode tirar seu cavalinho da chuva.
-- Tá bom. Então fica aí com esses grilos todos. Não vai falar mesmo?
-- !
-- E vai me deixar com a pulga atrás da orelha?
-- Ah-ha! Acertou na mosca!
-- Você não tá achando que eu... Opa! Cuidado pra não confundir gato com lebre.
-- Macacos me mordam se eu estiver errado.
-- Como um amigo pode pensar isso de mim? Não vou engolir esse sapo!
-- Pois é. Digo o mesmo! Seu... seu... seu.. amigo da onça!
-- Eu nem sei o que aconteceu e ainda pago o pato?
-- Quer saber? Vá pentear macacos!

Passei o domingo arrumando gavetas e reescrevendo textos antigos, como esse diálogo, que já tinha aparecido aqui no ano passado.

(ST)

17 de jul de 2009

Eu não vou aguentar!

O garotinho tinha uns quatro anos e chorava desesperado. Estava no parque de diversões do clube ao lado de uma menina, um pouquinho mais velha. Vendo a cena, minha amiga René se aproximou e perguntou o que estava acontecendo. Sem parar de chorar, o garotinho disse:
-- Eu não vou aguentarrrrrrrrrrrrrrr!
Daí a menina, que foi logo se apresentando como prima, explicou:
-- Ele tá com saudades da mãe dele.
Minha amiga tentou acalmar, disse que a mãe já ia chegar, mas as lágrimas não paravam de cair. Soluçando, sem fôlego, ele repetia:
-- Eu não vou aguentarrrrrrrrrrrrrrr!
Mais uma vez, a menina explicou:
-- Ele dormiu na minha casa, mas ele não aguenta.
Minha amiga ofereceu sorvete, colinho, fez de tudo, sem sucesso. O menino continuou chorando, inconsolável, o que me fez lembrar de duas cenas-traumas de infância: a do elefantinho Dumbo procurando a mãe que tinha sido presa, e a da morte da mãe do Bambi. Não sei se, ainda hoje, aguento ver esses desenhos sem cair na choradeira.

16 de jul de 2009

Livro novo, oba!

O primeiro exemplar chegou ontem, quentinho da gráfica. Meu segundo livro pela Girafinha estará nas livrarias logo mais, mas o lançamento oficial está marcado pro dia 11 de agosto, na Livraria da Vila, junto com o "Companhia Três Marias" da querida Maria Amália Camargo.

15 de jul de 2009

É assim

Lembrei dessa tirinha da Mafalda depois de dar uma olhada na primeira página dos jornais de hoje. Ai, que tristeza!

(ST)

13 de jul de 2009

De volta (2)

No primeiro dia pós-férias fiz tudo o que devia: limpei a caixa postal, respondi e-mails, fiz supermercado, passei no banco, na lavanderia, reguei as plantas e o dia finalmente está acabando. Tudo em ordem pra retomar o trabalho amanhã, descansada e bem disposta. Só tem um probleminha: a cabeça insiste em continuar de férias, flutuando leve e solta, até demais, com zero ideias. Lembro de Lobo Antunes dizendo que nunca se deve deixar uma frase com ponto final para o dia seguinte: "Melhor interromper no meio (...) Começar um novo capítulo é muito lento". Infelizmente não ouvi esse conselho antes e agora não sei como seguir com a história. E então lembro mais uma vez de Amos Oz, também em Paraty, contando que ele se prepara pra escrever todos os dias na mesma hora. O que vem depois disso não é muito diferente do que acontece quando um comerciante abre sua loja -- tem dias em que o movimento é incrível, gente entrando e saindo o tempo todo. Mas também tem aqueles períodos em que a loja, mesmo aberta, fica deserta, não aparece nenhum comprador, ninguém entra nem pra pedir uma informaçãozinha.
Então é isso: amanhã abro a lojinha e fico torcendo pros personagens aparecerem com muitas novidades.

(Silvana Tavano)

12 de jul de 2009

De volta

Ontem, de biquini; hoje, com malha de lã. Na sexta-feira, passei o dia na praia do Leblon, lendo debaixo de um guarda-sol, dá pra acreditar? O Rio de Janeiro continua lindo, e São Paulo, gelado. É assim mesmo: fim de férias é sempre um choque de realidade. Sei que todo mundo já falou tudo sobre a Flip, mas como só voltei hoje conto minhas novidades atrasadas -- de verdade, só quero falar sobre a palestra do Antonio Lobo Antunes: foi um daqueles momentos que fazem valer a pena ter ido pra Paraty. Lembrei do encontro com Amos Oz e Nadime Gordimer, em 2007, quando também tive a impressão de estar espiando por um buraco de fechadura, na intimidade de escritores falando sobre o amor pelos livros, com a simplicidade que dispensa teorias e proezas literárias. Foi encantador e emocionante, e ele disse coisas assim: "Quando você está escrevendo bem, dá a impressão que está debaixo de um ditado (...) Dá a impressão de ser a mão de um anjo que está ditando. Uma vez eu estava escrevendo, e as lágrimas caindo pela cara, e eu não sou um homem de muitas lágrimas. (...) Mas isso são momentos muito raros, nunca mais voltou a acontecer". O papo de Lobo Antunes com Humberto Werneck também foi um momento raro, tive sorte de poder estar lá.
Sorte também foi encontrar os Roedores de Livros circulando pela cidade -- fui logo me apresentando pro Tino Freitas e pra Ana Paula Bernandes, que fazem um trabalho muito bacana com crianças e livros em Brasília.


(Silvana Tavano)

1 de jul de 2009

Na estrada

Quando eu era pequena, o cinto de segurança do carro era enfeite, quase ninguém usava. De todo modo, naquela época, tudo o que eu precisava pra me sentir segura era saber que meus pais estavam no banco da frente. E assim que a gente pegava a estrada, eu ficava de joelhos pra olhar pelo vidro de trás e poder contar quantos carros o nosso ultrapassava. As férias começavam na viagem: parar pra fazer xixi e tomar refrigerante fazia parte do programa e quando apareciam as primeiras vaquinhas pastando aqui e ali, minha cabeça já estava muito longe de casa. Hoje em dia, vou no banco da frente e coloco o cinto automaticamente, mas quando estou nessa estrada que me leva pras férias embarco naquela mesma viagem, ansiosa com todas as novas brincadeiras que vão pintar. Até a volta!

(Silvana Tavano)