12 de jul de 2009

De volta

Ontem, de biquini; hoje, com malha de lã. Na sexta-feira, passei o dia na praia do Leblon, lendo debaixo de um guarda-sol, dá pra acreditar? O Rio de Janeiro continua lindo, e São Paulo, gelado. É assim mesmo: fim de férias é sempre um choque de realidade. Sei que todo mundo já falou tudo sobre a Flip, mas como só voltei hoje conto minhas novidades atrasadas -- de verdade, só quero falar sobre a palestra do Antonio Lobo Antunes: foi um daqueles momentos que fazem valer a pena ter ido pra Paraty. Lembrei do encontro com Amos Oz e Nadime Gordimer, em 2007, quando também tive a impressão de estar espiando por um buraco de fechadura, na intimidade de escritores falando sobre o amor pelos livros, com a simplicidade que dispensa teorias e proezas literárias. Foi encantador e emocionante, e ele disse coisas assim: "Quando você está escrevendo bem, dá a impressão que está debaixo de um ditado (...) Dá a impressão de ser a mão de um anjo que está ditando. Uma vez eu estava escrevendo, e as lágrimas caindo pela cara, e eu não sou um homem de muitas lágrimas. (...) Mas isso são momentos muito raros, nunca mais voltou a acontecer". O papo de Lobo Antunes com Humberto Werneck também foi um momento raro, tive sorte de poder estar lá.
Sorte também foi encontrar os Roedores de Livros circulando pela cidade -- fui logo me apresentando pro Tino Freitas e pra Ana Paula Bernandes, que fazem um trabalho muito bacana com crianças e livros em Brasília.


(Silvana Tavano)
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