13 de jul de 2012

Invisível

Toda vez que apronta, minha gata se esconde atrás da mesma poltrona, no canto da sala. É pra lá que ela corre quando é flagrada lixando as unhas no sofá proibido, e também quando a sua curiosidade acaba derrubando vaso com flor, sacolas, roupas do armário. Dependendo do tamanho do estrago, até tem bronca, mas, depois de treze anos de convivência, ela sabe que não vai ter castigo, enfim, nada a temer. Mesmo assim, sempre sai em disparada, embolando tapetes e o que mais encontrar pelo caminho num vrum veloz rumo ao velho e bom esconderijo. Daí fica lá bem quieta, com a cara enfiada debaixo da almofada, certa de estar muito bem escondida -- invisível --, apesar do bumbum empinado, aparecendo por trás do braço da poltrona, e do rabo, que continua balançando pra lá e pra cá, independente e ingênuo. Sua atitude me diz: eu não estou vendo você; então você também não está me vendo. Gosto de entrar nesse jogo -- sempre faço de conta que não sei onde ela está, e brinco, como só bicho e criança sabem brincar, inventando o mundo a partir do próprio olhar.
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