6 de dez de 2011

Personagens (2)

Entro na loja de brinquedos e pergunto se eles têm cabaninhas. Uma moça simpática me pede pra acompanhá-la até o corredor onde estão as "barracas", entre aspas que vejo desenhadas no seu sorriso de vendedora. Em seguida, ela pergunta se é para um menino ou uma menina. Acho que nunca tinha pensado no assunto desse jeito, demoro um pouco pra responder, mas vejo que a questão faz todo o sentido quando ela mostra a barraca do Batman e a toca das Princesas do Mar. Digo que é para uma menina e descubro os modelos Hello Kitty, Turma da Xuxinha, Barbie com Bolinhas, entre muitas outras barracas temáticas. Quase pergunto se a da turma do Cocoricó seria unissex, mas acho melhor não complicar as coisas. Enquanto tento escolher entre todos aqueles tons de rosa, lembro de um lençol suspenso entre o sofá e duas cadeiras, a cabaninha que eu armava na sala pra brincar sozinha, com a amiga do 9º andar e também com meu primo, sempre que ele aparecia em casa -- um espaço onde cabiam meninas, meninos e todos os personagens que a gente imaginasse, sem essas aspas que me mostram um mundo cada vez mais careta.

7 comentários:

Cristina Sá literaturainfantilejuvenil disse...

Silvana,

Verdade.As crianças,hoje, brincam
com coisas prontas - brinquedos
eletrônicos e os baseados na mídia.

Com as cabaninhas de antigamente as
crianças tinham a possibilidade de
imaginar, experimentar,inventar e
criar.Hoje, temos uma infância privada do FAZ DE CONTA.
bj
Cristina Sá
http://cristinasaliteraturainfantil
ejuvenil.blogspot.com

Mara disse...

Temo que meu filho de apenas 2 anos more em um mundo sem cor e sem criatividade. Aqui em casa a gente tenta criar de tudo pra ele.. brinquedos, livros.. histórias.
Ele aprendeu a dizer (e pedir): comprar?! E foi então que arregaçamos a manga.

Jonh M disse...

Eles tem um poder de persuair muito grande...infelismente.

Maria Jose disse...

Até hoje improviso barracas para minhas netas com cobertores ou lençóis. Elas adoram. Mas acho essas que já vêm prontas muito legais também. Será que uma exclui a outra?
Beijos, Sil. Ótimo texto.

Silvana Tavano disse...

Zezé, você tem razão, a "barraca" não exclui a "cabaninha". Nada contra ter a barraca da turma da Mônica e fazer um puxadinho com o cobertor de casa, rss.. O que me incomoda é a caretice de separar um brinquedo/ideia tão legal em "meninos e meninas", além do lance do consumo gerando na criançada desejos de ter cada hora uma barraca diferente por conta do tema da hora. E diferente da cabana de lençol, parece que a barraquinha temática meio que perde a graça, envelhece junto com os personagens... Será que tô sendo chata?

Veramar Martins disse...

Lembro-me que há muito tempo brincava com minha irmã e uma prima de montar nossa própria "barraca", aproximando as camas e jogando por cima alguns lençóis e muita criatividade.

Jonh M disse...

Foi sempre assim na minha infancia; menino não princa com coisas de menina e nem mesmo com "elas"...