23 de set de 2011

Futuro

Todo mundo pensa um bocado em mim. Bom, se não for todo mundo, é quase. Cada um me chama de um jeito -- Amanhã, Ano-Novo, Mês-Que-Vem -- e mais um monte de nomes. Pessoalmente, gosto muito de Algum-Dia. Acho poético. Até aí, tudo certo, sei que é sempre de mim que estão falando. Enquanto não chego, as pessoas ficam curiosas -- umas mais, outras menos, mas a maioria imagina ou tenta adivinhar coisas a meu respeito. Acontece que se não chego com um presentinho, uma surpresa bacana ou pelo menos uma notícia boa, é batata: passo desapercebido, ninguém me dá muita bola. É assim: já me acostumei a ser esperado com ansiedade e, depois, recebido com indiferença, principalmente quando não trago nada de especial.
Chato é se, por acaso, tenho que anunciar algum problema ou até coisa pior. Quem fica muito decepcionado já sai dizendo que nunca mais vai botar fé em mim. Que dureza ouvir isso! Mas não me ofendo, sei que é coisa de momento. No fundo, no fundo, mesmo esse pessoal conta comigo chegando a toda hora, e nisso eu não falho -- pode ter certeza que vou continuar aparecendo. Nem precisa conferir na bola de cristal.
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