4 de jul de 2011

Medo

Ele gosta de se esconder debaixo da cama, quietinho ou sussurrando pesadelos. Prefere a noite escura, mas às vezes aparece sob a luz dos refletores, sobe no palco e rouba a cena quando a gente tem que falar em público. É verdade que até pode ser divertido encontrar com ele na montanha-russa ou no meio de um filme de terror. E tem quem ache emocionante encarar uma aventura ao seu lado, nas alturas ou nas profundezas radicais. Mas em geral ele não é bem-vindo. E não pode dar moleza: se o danado começa a rodear sem mais nem menos, é bom ir dando logo um sonoro xô antes que ele se instale, sem fazer a menor cerimônia. Quando tem espaço, ele se espalha tão rápido que acaba deixando a gente encurralada num cantinho, sem conseguir se mexer. 
Bom é quando dá pra virar o jogo: você topa com aquele monstro na beira do trampolim, mas daí prefere fechar os olhos, respirar fundo e ir em frente. Então descobre que, às vezes, é justamente o medo que ajuda a gente a ter coragem de saltar. 

(ST)
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