15 de jun de 2011

Vulcões

Faz frio. Um vento gelado entra pelas frestas da janela e enche a casa de inverno. Cada um se defende como pode: a gata se encolhe e adormece em cima do roteador quentinho. Eu levo o computador pra mesa da cozinha, ligo meu forno-lareira e dou uma olhada no jornal enquanto penso no que vou escrever aqui. Mas não consigo me concentrar. Olho pra fora, perco um tempo imaginando que os galhos da árvore balançam porque estão tremendo de frio, fico procurando passarinho escondido no meio das folhas arrepiadas e me deixo levar por uma espécie de inquietação, um não-sei-o-quê vai se agitando enquanto o corpo obedece ao toque de recolher que a temperatura impõe. Então volto pro jornal, leio alguma coisa sobre o vulcão chileno e de repente me dou conta de que o inverno às vezes invoca o mesmo espírito dos vulcões: sentada na minha cozinha, em silêncio, vou enrijecendo feito pedra e experimento a sensação dessas montanhas, aparentemente tão calmas. Também eu sinto que algo se move por dentro, como energia de lava, dando sinais de uma estranha ebulição.

(ST)
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