2 de jun de 2011

Escritora e jornalista

Trabalhei em redações durante muitos anos, até 2009, e nessa época, apesar de já ter alguns livros publicados, ainda me apresentava como jornalista e... escritora -- assim mesmo, com um monte de reticências. Acontece que depois do meu último dia em uma redação, em dezembro de 2008, eu estava decidida a ser cada vez menos jornalista e mais escritora. Isso explica porque não fiquei muito animada quando a Miriam Gabbai, da Callis, me propos fazer um livro sobre os rituais de passagem na adolescência através das religiões. Lá estava eu, de novo, com uma pauta na mão e uma grande pesquisa jornalística pela frente. Topei, mas assim que a nossa reunião terminou, comecei a pensar num jeito mais original de fazer o paradidático que ela estava querendo. Dias depois, liguei pra ela e perguntei: "E se a gente abordasse o tema a partir de depoimentos dos próprios adolescentes?". Pra minha sorte, ela gostou da ideia. Bem mais entusiasmada, saí em busca dos meus entrevistados -- jovens de 17 a 20 e poucos anos, que já podiam olhar com certa distância e refletir sobre os ritos que tinham marcado a passagem da infância para a adolescência.
Logo descobri que os ritos religiosos não eram tão frequentes assim, e mesmo quando aconteciam, não eram lembrados como uma experiência significativa. Mas os trinta e tantos meninos e meninas com quem conversei durante muitos meses lembraram de aventuras, vivências e, em alguns casos, de um único momento especial em que a infância ficou pra trás. Por isso, o livro se chama "O Nosso Rito a Gente Inventa".   
O título que minha editora queria continua faltando no catálogo. De novo, tive sorte: ela entendeu que as histórias que ouvi encantaram a escritora e acabaram desviando o foco da jornalista. Ainda assim, é uma reportagem, narrada pelos próprios entrevistados e lindamente ilustrada pelo talento da Maria Eugenia.

(ST)
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